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A força do uniforme no atletismo

Estadão Esportes

05 Agosto 2012 | 14h25

Com o veloz avanço da tecnologia, estabelecer os limites do que pode ou não ser considerado doping tecnológico é o grande desafio do esporte moderno. A Nike afirma que seu novo uniforme, trazido para a Olimpíada de Londres, pode reduzir o tempo da corrida de 100 metros em 0,023 segundos. Tivesse sido usado nos Jogos de Pequim, teria sido suficiente para dar ao americano Walter Dix a medalha de prata, em vez do bronze que ganhou.

Dix terminou a prova exatos 0,020 segundos atrás do segundo lugar, Richard Thompson, de Trinidad e Tobago. O uniforme, chamado Turbospeed, tem o design inspirado em uma bola de golfe. “Nós sempre achamos que as superfícies lisas significavam maior velocidade, mas se você olhar para uma bola de golfe perceberá que é cheia de cavidades”, disse ao Estado o designer Martin Lotti, diretor global de criatividade da Nike.

Cavidades similares foram aplicadas no tecido que cobre os braços e pernas dos atletas. “Quando recebemos os resultados de performance, não acreditamos, não podia ser verdade”, disse Lotti. E destaca: “A diferença pode significar chegar ou não ao pódio”.

O uniforme foi aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e está sendo usado nos Jogos de Londres pelas equipes de atletismo de 20 países.


A vantagem na performance dos atletas foi, no entanto, o que fez os maiôs da Speedo, usados pela natação em Pequim, serem vetados este ano. A Fina, federação mundial de natação, considerou que a tecnologia dos maiôs correspondia a um doping.

Para Londres, a Speedo criou um sistema hidrodinâmico que incluiu, além do maiô, os óculos de natação e a touca. Juntos, os três reduziriam em 16,6% a resistência que retarda o deslizamento do corpo do nadador na água e em 5,2% a resistência criada pelas ondas que o atleta forma quando nada. O sistema foi inspirado na aerodinâmica dos carros de Formula 1.