Cabul sob ataque
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Cabul sob ataque

adrianacarranca

15 Abril 2012 | 19h08

SEGUNDA-FEIRA

2:47 – Os helicópteros deixaram a área e o confronto parecia ter findado. Houve um intervalo de silêncio até os insurgentes retomarem os ataques. Acabo de ouvir três explosões na área, e mais tiros; os helicópteros das forças afegãs estão de volta.

2:16 – Talibã declara: “nossos soldados vão lutar até morrer”. Nos prédios invadidos e depois retomados, as forças afegãs dizem ter encontrado quilos de castanhas e energéticos deixados para trás pelos insurgentes.

1:52 – O confronto entre os insurgentes e as forças afegãs invade a noite. Não consigo  dormir com o som de tiros; duas bombas explodiram há pouco. Helicópters sobrevoam a área da casa de família onde estou hospedada em Karte Char. Fica perto do Parlamento, na Avenida Darul Aman, e ainda há insurgentes na região. Recebo mensagens via celular de amigos que vivem do outro lado de Demazang, no centro, em um bairro chamado Wazir Akba Khan, onde estão muitos estreangeiros, escritórios das organizações internacionais e embaixadas. Os confrontos seguem por lá também e houve pelo menos uma explosão na área. Os insurgentes estão armados com granadas e foguetes RPG, disseram oficiais afegãos a um colega da BBC.


DOMINGO

16h28 – O major recebeu a mensagem de que a área estava sob controle e podíamos deixar a base. Fomos escoltados por quatro soldados e um veículo militar para fora da área ainda cercada por tanques e soldados, até a área residencial de Karte-Seh. Centenas de militares, armados até os dentes, estavam espalhados pelas ruas e faziam buscas em cada carro, cara cidadão que passava na rua. No caminho, recebemos novo alerta: espiões da inteligência afegã ainda fazem busca de homens-bomba que estariam infiltrados em diferentes pontos da cidade. Não deixem seus postos. Era tarde.

14:48 – Uma quarta explosão fez o prédio estremecer mais uma vez e fomos retirados de perto das janelas. Ouvimos mais tiros e a sirene das ambulâncias e carros de resgate que deixavam a base. Os conflitos seguiram por três horas ininterruptas e pelo menos sete foguetes atingiram as imediações – testemunhamos três deles caírem na base da Isaf. Na sala onde estávamos, os mlitares recebiam informações: atiradores e homens bomba invadiram prédios em contrução nas imediações do Palácio da Presidência, do Parlamento e da embaixada americana, e etavam atacando os alvos com foguetes; também teriam invadido o hotel Kabul Star.

14:00 – A sirene soou em toda a base confirmando o alerta: “Base sob ataque. Base sob ataque”, repetia o alerta. “Protejam-se em uma área fechada e coberta. Não é permitido permanecer nas áreas livres. Foguetes podem atingir as instalações. Base sob ataque”. Soldados tomaram o telhado, os terraços e as janelas. Fomos levados para uma sala no primeiro andar, onde estava o comando da base. Protegida por cinco militares que guardavam o terraço ao lado da sala onde fomos colocados, era possível avistar o esqueleto de um prédio de três andares, ainda em construção, onde os atiradores lançavam os foguetes. Outra explosão atingiu uma área aberta a 50 metros de onde estávamos, fazendo o prédio estremecer. Soldados turcos da Otan tomaram a Avenida Jalalabad com tanques e cercaram o prédio; pelo menos cinco helicópteros da Otan sobrevoavam o local. Os soldados disparavam do tanque e dos helicópteros contra o prédio, de longe víamos a fumaça, os tiros não cessavam; os insurgentes respondiam com mais foguetes em nossa direção.

1:35 – Eu estava no Centro de Treinamento Militar de Cabul (CTMC) quando o primeiro foguete foi lançado nas imediações do prédio. atingindo a base da Isaf, na frente de onde estávamos, do outro lado da Avenida Jalalabad. Na sala onde eu fazia uma entrevista, ouvimos o som da explosão. Era possível ver a tensão nos olhos dos cinco militares presentes, mas ainda não se sabia o que estava acontecendo, quando o major que nos acompanhava recebeu um telefonema: insurgentes haviam invadido prédios no centro da cidade e nas proximidades do Palácio Presidencial e do Parlamento. Cabul estava sob ataque. Todos saíram para o pátio. Segundos depois, uma nova explosão, muito mais próxima, atingiu o muro do CTMC e pudemos ver a fumaça preta tomar o céu. O alvo era uma área residencial para famílias de militares afegãos, colada à academia.