Cabul ou Rio?
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Cabul ou Rio?

adrianacarranca

03 Novembro 2009 | 18h54

Não eram exatamente estas fotos que eu gostaria de usar, mas não encontrei as originais. Estavam em um dos jornais que eu li nas últimas duas semanas, sob o título “O jogo dos Sete Erros”, só não me lembro qual foi (eu estava em férias, afinal). O fato é que existem outras semelhanças entre o Afeganistão e o Rio, que não somente o uniforme paramentado dos oficiais.

Uma delas está na estratégia de combate das polícias do Rio e dos soldados da Otan no Afeganistão, responsável na visão de muitos especialistas pelo fracasso das forças de segurança tanto lá quanto aqui. O presidente Barack Obama já percebeu o erro e conferiu a nova estratégia militar no Afeganistão ao general Stanley McChrystal. O militar moderado confia mais no trabalho de inteligência e na interação com os afegãos para o sucesso da empreitada americana no país do que nas ofensivas que matam milhares de civis inocentes, minam a credibilidade dos militares e jogam muitos para o lado dos Taleban.

O Rio ainda não enxergou isso, infelizmente, e segue investindo em mega-operações de mesmo efeito: resultam em um número alto de mortes, minam a credibilidade da polícia nas comunidades e jogam muitos jovens para o lado dos traficantes.

Outra semelhança está na ausência de um governo central forte, sem credibilidade junto à maioria. Sandra Carvalho, diretora da Justiça Global, me contava durante um café, sexta-feira, sobre como moradores do Complexo do Alemão vêem as obras do PAC: “Eles acham que o governo federal só está lá para abrir caminho para o ‘caveirão’ (como é chamado o camburão blindado usado pelo Bope)”, diz. Isso porque o Estado quase nunca se faz presente nas favelas, exceto na forma das tais megaoperações policiais e operações de despejo. Ou seja, para o povo, o Estado e a polícia são uma ameaça e não seus aliados.

Oficiais afundados em denúncias de corrupção e de envolvimento com o narcotráfico são outros aspectos de um Estado falido que aproxima realidades tão distintas quanto as do Afeganistão e do Rio.