Do front do estado americano do Kansas: o personagem que deu a Philip Seymour Hoffman o Oscar de melhor ator
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Do front do estado americano do Kansas: o personagem que deu a Philip Seymour Hoffman o Oscar de melhor ator

adrianacarranca

03 Fevereiro 2014 | 13h52

Uma entre as muitas performances brilhantes do ator Philip Seymour Hoffman, encontrado morto ontem em seu apartamento em Nova York, foi a adaptação para o cinema da vida do jornalista Truman Capote, precursor do chamado New Journalism e da literatura de não-ficção. Ele ficou conhecido pelo clássico A Sangue Frio.

A atuação de Hoffman lhe rendeu o Oscar de melhor ator, em 2005. Assista o trailler:


Hoffman capturou com perfeição a personalidade extravagante de Capote, que segundo amigos do escritor escondia uma profunda solidão. Como Hoffman, Capote foi vencido pelo álcool e as drogas. Ele morreu em Los Angeles, aos 59 anos, em decorrência de problemas no fígado.

Capote soube por uma pequena nota nos jornais sobre o crime que ele viria a relatar mais tarde melhor do que nenhum outro repórter, fazendo história no jornalismo. A Sangue Frio foi publicado originalmente como uma série de reportagens na revista New Yorker e como livro em 1965. Consumiu seis anos de apuração e seis mil páginas de anotações, entrevistas, documentos e relatórios policiais reunidos para detalhar o assassinato do fazendeiro Herbet Clutter, sua mulher e dois filhos, em 1959, em uma fazenda no Kansas, uma terra de conflitos raciais, tensões sociais e fervor religioso.

Em 1984, pouco antes de morrer e já com a saúde deteriorada pelo vício, Capote escreveu: “Não sou um santo ainda. Eu sou um alcoólatra. Eu sou um viciado em drogas. Eu sou homossexual. Eu sou um gênio. É claro, eu poderia ser todas essas coisas e ainda ser santo.”

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Às segundas, o blog dedica seu espaço à literatura de guerra, sejam os confrontos armados ou a batalha cotidiana pela vida.