As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Mulheres ganham força e voz

Estadão Esportes

03 Agosto 2012 | 16h08

Esta é a Olimpíada delas. Pela primeira vez na história dos Jogos, todos os esportes têm modalidades femininas e todas as delegações dos 205 países participantes têm mulheres competindo em Londres. Dos 10,5 mil atletas, elas são 4.862 ou quase a metade. Também pela primeira vez na história, os dois líderes no ranking de medalhas olímpicas, EUA e China, têm mais mulheres do que homens em seus quadros.

Levantamento feito pelo Estado aponta que elas competem em maior número em 31 delegações – há menos de duas décadas, na Olimpíada de Atlanta, 26 países não tinham mulheres em suas equipes. Em Londres, entre os países com maioria feminina, pelo menos três são predominantemente muçulmanos. É pouco, mas ainda assim um avanço, principalmente diante da polêmica em torno do uso do véu islâmico, o hijab, que quase deixou duas atletas da Arábia Saudita fora da Olimpíada de 2012.

Com os cabelos cobertos, concessão do Comitê Olímpico Internacional, a judoca Wojdan Ali Seraj Abdulrahim Shahrkhani, estreia hoje no tatame (veja na página 4). Sua participação marca o derradeiro obstáculo para as mulheres em Olimpíadas, com a Arábia Saudita tornando-se o último país que faltava a aceitá-las, cedendo a uma forte pressão da comunidade internacional. Antes disso, Catar e Brunei já haviam anunciado que mandariam mulheres pela primeira vez.
Além da judoca, Sarah Attar defenderá a bandeira da Arábia Saudita na corrida de 800 metros no atletismo. É um feito e tanto. Até os Jogos de Los Angeles em 1984, as mulheres não podiam participar da corrida de maratona.

Mas as sauditas não são as únicas a fazer história nessa Olimpíada. A dupla feminina Heather Stanning e Helen Glover levou o primeiro ouro da Grã-Bretanha nos Jogos. Foram as primeiras britânicas a levar ouro no remo. O fim do jejum de medalhas para o país-sede nos Jogos Olímpicos também veio com a ajuda de outra mulher, Elizabeth Armitstead, prata no ciclismo de estrada.


Na primeira Olimpíada sediada em Londres, em 1908, o feito seria improvável – havia apenas 37 mulheres nas delegações de todos os países competidores ou 1% do que há agora. Ao lado da sustentabilidade, a igualdade de gênero foi destacada pelo Comitê Olímpico Internacional como marca dos Jogos de 2012, o que o presidente da entidade, Jacques Rogge, fez questão de ressaltar em seu discurso na cerimônia de abertura.

Apesar disso, a ciclista britânica Elizabeth saiu em defesa de maiores avanços para as mulheres nos esportes logo após ganhar a medalha. “Sexismo ainda é um grande problema. As mulheres não têm os mesmos incentivos que os homens, as mesmas chances ou valores iguais de patrocínio”, disse. É essa a bandeira que pretende levantar com a visibilidade que ganhou juntamente com a medalha nos Jogos de Londres. Para elas, Londres é só o começo.