Férias no Afeganistão
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Férias no Afeganistão

adrianacarranca

03 Maio 2012 | 03h51

Para quem não entendeu o que eu estava fazendo em Cabul, quando aconteceram os ataques coordenados em Cabul e outras três províncias, a maior ofensiva da insurgêncua desde o início da guerra, explico: durante o Spring break (férias de Primavera) da Universidade de Oxford, onde estou em um período sabático, decidi voltar ao Afeganistão. Em parte, porque o tema da minha pesquisa para o Reuters Institute for the Study of Journalism tem como tema a cobertura da guerra pela  imprensa afegã, que praticamente não existia durante o regime Talibã e os períodos anteriores de conflitos, e floresceu nos últimos dez anos.  Em parte, para pesquisar para um novo livro, sobre o qual não posso revelar muito pois é ainda embrionário. Em parte, porque sempre que vou embora do Afeganistão, a sensação é de ter deixado para trás muitas histórias, muita gente que merecia ser ouvida, muitas coisas a entender. Assim, em minha terceira viagem ao país, passei 25 dias morando com uma família no bairro de Carte-Char, subúrbio de Cabul, entre curtas viagens como a travessia do lendário Salang Pass, única rota que liga o sul ao norte do país por terra.

Nesse sabático, estou fazendo mais coisas do que nunca, graças à pesquisa e aos muitos seminários e eventos que temos na Universidade de Oxford. Não dá para não aproveitar o privilégio de ter por perto Tariq Ramadan, um dos maiores acadêmicos do Islã, neto do fundador da Irmandade Muçulmana,  Hassan al Banna; ou Richard Caplan, um especialista em gerenciamento de conflitos e na construção de Estados no pós-guerra; ou ainda Robert Service, historiador sobre a Rússia e biógrafo de Lenin, Stalin e Trotsky. Só para citar alguns.

Mas prometo voltar ao blog com relatos da viagem assim que possível.

Por enquanto, divido com vocês as matérias que fiz nessa pausa da universidade, meu “Spring break” em Cabul.


Até!

 

‘Somos um povo ingovernável’, diz ex-líder do Taleban

Em entrevista ao ‘Estado’, Sayed Mohamed Akbar Agha diz que figura de Bin Laden ainda inspira militantes

ADRIANA CARRANCA , ENVIADA ESPECIAL / CABUL – O Estado de S.Paulo

Sayed Mohamed Akbar Agha tem saudades do velho Osama bin Laden. Não do homem de corpo frágil enrolado em um cobertor vendo TV, escondido em Abbottabad, no Paquistão, onde viveu os últimos dias antes de ser morto em uma operação americana há um ano, mas do jovem jihadista destemido que deixou a vida con
fortável de milionário na Arábia Saudita para se juntar aos mujahedin afegãos contra os soviéticos nos anos 80.

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No caminho de um sargento em fúria, a família de Wazir

Afegão perdeu 11 parentes, entre filhos, mulher e mãe, no massacre de KandaharADRIANA CARRANCA , ENVIADA ESPECIAL / KANDAHAR – O Estado de S.PauloQuando Habib pergunta pela mãe e os irmãos, Mohammed Wazir diz simplesmente que “os soldados americanos os levaram”. O menino, de 4 anos, e o pai são os únicos sobreviventes do que ficou conhecido como o massacre de Kandahar, que levou 11 pessoas de sua família em uma só noite.Wazir visitava parentes em Spin Boldak, a três horas do vilarejo onde o crime ocorreu, quando recebeu o telefonema de um vizinho: “Todos os membros de sua família foram feitos mártires”. Ele não acreditou. Pediu que o levassem de volta imediatamente, para encontrar os corpos da mulher, dois filhos e quatro filhas, mãe, irmão, cunhada e sobrinho ensanguentados, amontoados inertes num canto da casa. O de Palwasha, a caçula de dois anos, havia sido carbonizado. “Eu senti uma pressão na cabeça tão forte, mas tão forte, que minha mente parou”, disse ao Estado, em um restaurante em Kandahar.Leia mais… 

 

Foto rende prêmio e sofrimento ao autor

Afegão ganhador da principal premiação do jornalismo mundial relata drama ao ‘Estado’

ADRIANA CARRANCA , ENVIADA ESPECIAL / CABUL – O Estado de S.Paulo

Massoud Hossaini mostra as cicatrizes que o atentado deixou em sua mão esquerda. Ele ainda não recuperou totalmente os movimentos, dobra os dedos com dificuldade. Até hoje se pergunta por que sobreviveu quando 70 pessoas morreram a poucos metros dele.

Ferido, clicou com a mão direita a imagem do terror estampado no rosto de uma menina segundos após a explosão durante uma celebração xiita em Cabul, capital afegã; o contraste do sangue no vestido verde, a expressão de choque e desespero em seus olhos, o grito nos lábios, as mãos estendidas para uma pilha de mortos, entre eles sete pessoas da sua família. A fotografia levou o Prêmio Pulitzer, anunciado há uma semana, convertendo Hossaini no primeiro afegão a vencer o mais prestigiado prêmio de jornalismo do mundo.

“Foi o momento mais assustador de minha vida”, disse ao Estado durante um encontro no Wakhan Café, em Cabul, pouco depois de saber da premiação.

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Disparos varam a madrugada em Cabul

Após dia da maior ofensiva do Taleban desde 2001, Afeganistão conta 52 mortos

Adriana Carranca, Enviada Especial – O Estado de S.Paulo

CABUL – Cabul viveu ontem a madrugada mais violenta desde o início da guerra, em 2001. Após o domingo de combates, a capital afegã transformou-se em campo de batalha. Explosões e disparos de artilharia pesada foram ouvidos durante a noite em duas áreas: Wazir Akba Khan, bairro mais rico e vigiado da cidade, que abriga embaixadas, prédios do governo e o palácio presidencial, e as imediações da Avenida Darul Aman, onde está o Parlamento.

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Jovens brasileiros escapam de ataque em Cabul

Escola internacional é sitiada durante ofensiva do Taleban e adolescentes ficam quase três horas isolados na capital afegã

ADRIANA CARRANCA, ENVIADA ESPECIAL / CABUL – O Estado de S.Paulo

“Mãe, minha escola está sitiada”, dizia o recado que Isac enviou à mãe, por mensagem de celular, pouco depois do início da ofensiva do Taleban. Ontem. Isac e o irmão, Natan Portes, estavam na escola quando ouviram o barulho da primeira explosão, um som mais familiar do que eles gostariam que fosse, após sete anos no Afeganistão.

O foguete atingira as proximidades do Parlamento, a apenas três quadras da International School of Kabul (ISK), onde eles estudam, e havia atiradores e homens-bomba nas imediações.

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‘Uma explosão, um tremor e o alerta: a base está sob ataque’

Depoimento: Adriana Carranca

A reportagem do Estado fazia entrevistas no Centro de Treinamento Militar de Cabul (CTMC) quando o primeiro foguete foi lançado nas imediações do prédio – o foguete atingira a base da Força de Assistência de Segurança Internacional (Isaf, na sigla em inglês), na frente de onde estávamos, separados pela Avenida Jalalabad.

Era possível ver a tensão nos olhos dos cinco militares presentes na sala, mas ainda não se sabia o que estava acontecendo quando o major que nos acompanhava recebeu um telefonema: insurgentes haviam invadido prédios no centro da cidade e nas proximidades do palácio presidencial e do Parlamento. Cabul estava sob ataque. Todos saíram para o pátio.

Segundos depois, uma nova explosão, muito mais próxima, atingiu o muro do CTMC e pudemos ver a fumaça preta tomar o céu. O alvo era uma área residencial para famílias de militares afegãos, colada à academia. A sirene soou em toda a base confirmando o alerta: “Base sob ataque”.

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Taleban lança a mais ousada série de ataques desde a invasão do Afeganistão

Adriana Carranca – enviada especial / Cabul

Uma série de ataques simultâneos atingiu ontem a capital do Afeganistão, Cabul, e pelo menos quatro províncias do país, na mais ousada ação do Taleban contra o governo afegão e as forças estrangeiras desde o início da guerra há mais de dez anos. Segundo o Ministério do Interior, 11 policiais e 26 insurgentes morreram e 36 pessoas ficaram feridas – a maioria civis.

Segundo o Taleban, os principais alvos da ofensiva terrorista eram as embaixadas da Alemanha, da Grã-Bretanha, dos EUA e a sede do comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O prédio do Parlamento foi sitiado por atiradores, que também teriam atacado o palácio presidencial. Houve troca de tiros entre os militantes e forças de segurança por mais de sete horas após o primeiro ataque.

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Bombardeio é maior ofensiva do Taliban em Cabul desde o início da guerra

Direto de Cabul, a correspondente do Estadão, Adriana Carranca, narra o clima de tensão na Capital afegã.