Síria: para parar o massacre
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Síria: para parar o massacre

andreinetto

11 Agosto 2012 | 10h29

Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira, 10, uma nova rodada de sanções com o objetivo de atingir o regime de Bashar Assad, cujo currículo de tirano já inclui 21 mil mortes em 17 meses de conflito. Desta vez Washington visou à companhia petrolífera Sytrol, estatal síria que também atua no Irã – país atingido por tabela.

Com as sanções, a administração de Barack Obama envia um recado ao “eixo” Síria-Irã, cujas relações bilaterais não param de se estreitar desde o início do conflito. De acordo com o Departamento de Estado americano, as relações comerciais entre os dois países permitem a Teerã continuar a desenvolver seu programa nuclear e a Damasco irrigar de recursos seus serviços de segurança e inteligência. Daí a suposta necessidade de novas sanções.

Além delas, a outra grande iniciativa de americanos e europeus, em especial Estados Unidos e França, é trabalhar pela desintegração interna do governo de Assad. Desde o início da crise política e social no país, o regime que já perdeu nomes como o ex-primeiro-ministro Riad Hijab e generais como Manaf Tlass, ex-fiéis ao regime, agora no exílio. Essas deserções são incentivadas, assim como as de soldados do regime que abandonam o campo de batalha ou mudam de lado todos os dias.

O problema é que, frente a uma guerra civil que gera uma emergência humanitária na Síria, o Ocidente segue apostando em estratégias de longo prazo. E tanto as sanções, quanto a expectativa de esfacelamento do regime são incógnitas. Até aqui, é impossível dizer se serão suficientes. Desde o início da “revolução” Síria, em março de 2011, Estados Unidos e União Europeia vêm apertando os garrotes econômico e político contra Bashar Assad, sem eficácia real. Uma prova disso é que o Plano Annan não funcionou. Outra é o fato de que as tropas lealistas já esmagaram ativistas em cidades como Deraa, Homs, Hama e Damasco e entraram na quinta-feira no bairro rebelde de Salahedine, na periferia sudoeste de Alepo, o novo epicentro dos combates.

Como rebeldes e o governo reconhecem na Síria, a batalha por Alepo tende a ser decisiva para a sobrevivência da “revolução” ou do regime. Os oposicionistas contam com um território livre ao noroeste da Síria, enquanto curdos também ocupam uma zona desmilitarizada no nordeste. Esses são sinais de que Assad perdeu o controle, ou ao menos recua em alguns pontos do país. Mas a ofensiva das forças armadas, com seus tanques, helicópteros e aviões bombardeiros, continua, e ninguém sabe até quando os ativistas poderão resistir.

Há duas semanas, quando eu estava em Alepo, os rebeldes acreditavam em uma vitória sem auxílio externo, sobre a qual falavam com um certo orgulho. Nessa semana, entretanto, eles deram seus primeiros sinais de fraqueza e renovaram o apelo por uma zona de exclusão aérea no país. Essa reivindicação precisaria passar pela aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. E, diante dos vetos de Rússia e China a resoluções, são mínimas as chances de que a no fly zone, como a criada na Líbia em 2011, possa vir a ser implementada na Síria neste ano.

Logo, não sobra muito das alternativas diplomáticas tentadas até aqui. Diante do impasse na ONU, países árabes sunitas, como Catar e Arábia Saudita, vêm fornecendo aos rebeldes armas leves, entre as quais fuzis AK-47 e lança-foguetes RPG. É uma alternativa – o tempo dirá se boa ou má. O fato é que, enquanto os árabes estão agindo, o Ocidente está estagnado, assistindo um genocídio pela TV. Para evitar o exemplo aberrante de Ruanda, talvez seja preciso pensar, sim, em uma intervenção militar como a realizada na Bósnia em 1995.

É o melhor a fazer? Não, claro que não. Mas milhares de pessoas estão morrendo. É hora de agir, se remobilizar e buscar alternativas – antes que a ideia de uma revolução democrática também morra nos escombros da Síria de Assad.