A Argentina importa cada vez menos do Brasil (e um touch da família Musaceae)
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A Argentina importa cada vez menos do Brasil (e um touch da família Musaceae)

arielpalacios

04 Junho 2012 | 08h17

Medidas protecionistas da presidente Cristina Kirchner provocaram queda nas vendas de produtos do Brasil (sócio da Argentina no Mercosul) no mercado argentino. Enquanto isso, governo Kirchner prepara um desenvolvimento sem precedentes na indústria nacional das bananas, atualmente inexpressiva. O objetivo: prescindir das bananas brasileiras, paraguaias e equatorianas.

A aplicação de uma série de medidas de restrição contra as importações protagonizada pelo governo da presidente Cristina Kirchner – violando o espírito de livre comércio do Mercosul – está provocando uma queda substancial da entrada de produtos Made in Brazil no mercado argentino. Segundo dados da consultoria econômica Abeceb, as compras argentinas de produtos brasileiros caiu 16% em maio em comparação com o mesmo mês de 2011. No total, em maio, a Argentina importou US$ 1,614 bilhão do Brasil.

A Argentina comprou do Brasil um volume menor de motores para veículos, auto-peças, pneus, minério de ferro, medicamentos, polímeros plásticos, entre outros. Alguns produtos, como a polpa suína brasileira, tiveram sua entrada praticamente bloqueada na Argentina.

Na contra-mão dos envios de mercadorias brasileiras para os consumidores argentinos, as vendas de produtos Made in Argentina para o mercado brasileiro registraram em maio um aumento de 6%. O mercado argentino destinou ao Brasil mercadorias com o valor de US$ 1,37 bilhões.

A balança comercial com a Argentina foi favorável ao Brasil em maio em US$ 242 milhões. No entanto, as barreiras do governo Kirchner fizeram este saldo despencar em 61% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Nos cinco primeiros meses de 2012 o superávit do Brasil com a Argentina foi de US$ 1,21 bilhão, volume 38% inferior ao registrado entre janeiro e maio de 2011.

Nos primeiros cinco meses deste ano as importações feitas pelo mercado argentino de produtos brasileiros caíram em 11%. No total, a Argentina importou US$ 7,5 bilhões de mercadorias Made in Brazil.

As barreiras argentinas contra o Brasil, que estavam em crescimento desde 2009, provocaram recentemente retaliações por parte do governo brasileiro. Um dos produtos Made in Argentina atingidos pelas barreiras são as azeitonas e o azeite de oliva. As licenças não-automáticas aplicadas pelo Brasil estão colocando em colapso a produção do setor na província de La Rioja, onde 600 operários foram demitidos nas últimas semanas.

Além disso, as adegas argentinas também deparam-se com problemas para colocar seus produtos do lado da fronteira brasileira. Segundo a associação Adegas da Argentina, desde março acumulam-se 90 mil caixas de vinho argentino na divisa com o Brasil. “Esse é o resultado das barreiras que a Argentina colocou contra os produtos brasileiros: eles vão fazer o mesmo que nós fizemos”, lamenta Juan José Canay, presidente da associação.

 

Aumentar a família Musaceae argentina: Governo Kirchner quer bananas nacionais para enfrentar as . No cartum acima do surrealista “Far Side”, do cartunista Gary Larson, pinguim escorrega em casca de banana no meio da imensidão antártica.

YES, NÓS TEMOS BANANAS – Enquanto barra produtos importados, o governo Kirchner intensifica sua política de respaldo à substituição de importações, incentivando a produção nacional. Esse é o caso da inexpressiva produção de bananas argentinas, a qual o ministério da Agricultura pretende turbinar.

O ministério quer evitar as importações de bananas brasileiras, equatorianas e paraguaias, que em 2011 atingiram a marca de 394 mil toneladas, com um valor de US$ 102 milhões. A banana é a fruta mais consumida na Argentina, com 12 quilos per capita anual.

O plano bananeiro argentino pretende aumentar em 40% a produção nacional, fato que implicaria na criação de 5 mil postos de trabalho. Atualmente, a Argentina produz 90 mil toneladas de bananas.

Segundo a secretária de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, Carla Bilbao, com o plano bananeiro o governo Kirchner tem o objetivo de “reduzir a pobreza rural no norte da Argentina por intermédio de um produto que tem demanda sustentável no país”. 

E já que o assunto é esta fruta, “Yes, nós temos bananas”, na versão de Almirante do carnaval de 1938:

 E “Chiquita Bacana”, a guria lá da Martinica que se vestia com uma casca de banana nanica. Interpreta Emilinha Borba:

E Cristina Kirchner como Carmen Miranda. Charge de El Niño Rodríguez. O site deste cartunista argentino supimpa: http://www.elninorodriguez.com/
 

  

E nada a ver com o assunto acima, o tango “Ninguna”, com a orquestra de Aníbal Troilo. Canta Roberto Rufino:

   

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

passaro4 Acompanhe-nos no Twitter, aqui.

blog1vinhetalendonewsstand4 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:

E, the last but not the least, siga o @inter_estadão, o Twitter da editoria de Internacional do estadão.com.br .
Conheça também os blogs da equipe de Internacional do portal correspondentes, colunistas e repórteres. 
E, de bonus track, veja o Facebook da editoria de Internacional do Portal do Estadão, aqui. 
.………………………………………………………………………………………………………………………………………………….
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).