As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A política imita a arte? Argentinos acreditam que Nisman foi assassinado (e um touch de Crazy Ivan)

arielpalacios

23 Janeiro 2015 | 15h03

Acima, o filme argentino “Los últimos días de la víctima”, de Adolfo Aristarain (1982) ilistra como um assassino mata uma pessoa e monta – com simplicidade – o cenário para que pareça um suicídio. Nisman também morreu no banheiro (embora não na banheira). E o governo insitia que a porta estava trancada por dentro (mas posteriormente soube-se que não estava). Uma peça cinematográfica interessante que pode sugerir que, em um hipotético caso de assassinato, o cinema já havia pensado previamente nisso (ou, quem, sabe, até inspirou um talvez, quiçá, suposto, hipotético assassino).

blog1dedo2bUma pesquisa elaborada pela consultoria Ipsos indicou que 70% dos entrevistados consideram que o promotor federal Alberto Nisman foi assassinado e descartam na versão que o governo Kirchner estava dando sobre o suposto “suicídio” até esta quarta-feira de manhã. Apenas 18% dos pesquisados sustentam que suicidou-se, enquanto que os 12% restantes não possuem opinião formada sobre essa morte. A pesquisa também indica que 82% dos argentinos acreditam que as denúncias feitas por Nisman sobre a presidente Cristina Kirchner são “verossímeis”.

No entanto, o ceticismo predomina sobre uma eventual captura dos responsáveis pelo atentado e sua futura detenção em uma prisão na Argentina. Segundo o relatório, somente 8% consideram “muito provável” esse cenário. Outros 27% consideram que existe “alguma chance”, enquanto que os 57% restantes não acreditam que um dia os responsáveis serão punidos.


GUINADA – Integrantes do governo argentino haviam insistido desde a segunda-feira de madrugada que a morte do promotor federal Alberto Nisman havia sido um suicídio. Na segunda-feira a presidente Cristina Kirchner havia colocado uma longa carta nas redes sociais nas quais se perguntava o motivo pelo qual Nisman teria “acabado com sua própria vida”, isto é, suicídio.

No entanto nesta quinta-feira de manhã, Cristina Kirchner colocou em seu blog uma extensa carta na qual diz a frase: “o suicídio (que estou convencida) que não foi suicídio”.  Sem citar nomes, a presidente diz que Nisman “foi usado vivo” e que “depois precisavam dele morto”. Os outros integrantes do governo rapidamente reconfiguraram o discurso e passaram também a dizer que Nisman não se suicidou.

DARÍN – O ator Ricardo Darín, atualmente o mais famoso do país, afirmou estupefato: “todas as ideias de minha cabeça não são suficientes para entender o que está acontecendo”. Darín fez um apelo para que todo o leque político se uma para “esclarecer” os fatos sobre a morte de Nisman.

BlogVinhetaMundo (2)BlogVinhetaMundo (2)BlogVinhetaMundo (2)BlogVinhetaMundo (2)BlogVinhetaMundo (2)

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

passaro4 Acompanhe-nos no Twitter, aqui.

blog1vinhetalendonewsstand4 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão, aqui.

E, the last but not the least, siga @EstadaoInter, o Twitter da editoria de Internacional do Estadão.
E, de bonus track, veja o Facebook  da editoria de Internacional do Portal do Estadão,aqui.
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).