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A política imita a arte? Argentinos acreditam que Nisman foi assassinado (e um touch de Crazy Ivan)

arielpalacios

22 Janeiro 2015 | 20h44

Acima, o filme argentino “Los últimos días de la víctima”, de Adolfo Aristarain (1982) ilistra como um assassino mata uma pessoa e monta – com simplicidade – o cenário para que pareça um suicídio. Nisman também morreu no banheiro (embora não na banheira). E o governo insitia que a porta estava trancada por dentro (mas posteriormente soube-se que não estava). Uma peça cinematográfica interessante que pode sugerir que, em um hipotético caso de assassinato, o cinema já havia pensado previamente nisso (ou, quem, sabe, até inspirou um talvez, quiçá, suposto, hipotético assassino).

blog1dedo2bUma pesquisa elaborada pela consultoria Ipsos indicou que 70% dos entrevistados consideram que o promotor federal Alberto Nisman foi assassinado e descartam na versão que o governo Kirchner estava dando sobre o suposto “suicídio” até esta quarta-feira de manhã.

Apenas 18% dos pesquisados sustentam que suicidou-se, enquanto que os 12% restantes não possuem opinião formada sobre essa morte. A pesquisa também indica que 82% dos argentinos acreditam que as denúncias feitas por Nisman sobre a presidente Cristina Kirchner são “verossímeis”. No entanto, o ceticismo predomina sobre uma eventual captura dos responsáveis pelo atentado e sua futura detenção em uma prisão na Argentina. Segundo o relatório, somente 8% consideram “muito provável” esse cenário. Outros 27% consideram que existe “alguma chance”, enquanto que os 57% restantes não acreditam que um dia os responsáveis serão punidos.


GUINADA – Integrantes do governo argentino haviam insistido desde a segunda-feira de madrugada que a morte do promotor federal Alberto Nisman havia sido um suicídio.

Na segunda-feira a presidente Cristina Kirchner havia colocado uma longa carta nas redes sociais nas quais se perguntava o motivo pelo qual Nisman teria “acabado com sua própria vida”, isto é, suicídio. No entanto nesta quinta-feira de manhã, Cristina Kirchner colocou em seu blog uma extensa carta na qual diz a frase: “o suicídio (que estou convencida) que não foi suicídio”.  Sem citar nomes, a presidente diz que Nisman “foi usado vivo” e que “depois precisavam dele morto”.

DARÍN – O ator Ricardo Darín, atualmente o mais famoso do país, afirmou estupefato: “todas as ideias de minha cabeça não são suficientes para entender o que está acontecendo”. Darín fez um apelo para que todo o leque político se uma para “esclarecer” os fatos sobre a morte de Nisman.

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hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o bl