Guerra, anglofobia, os privilegiados times de futebol e a verdadeira rivalidade argentina
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Guerra, anglofobia, os privilegiados times de futebol e a verdadeira rivalidade argentina

arielpalacios

15 Junho 2010 | 00h15

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Na época da Guerra das Malvinas era conveniente deixar de lado nomes ingleses para evitar ataques de multidões enfurecidas. No entanto, o futebol salvou-se dos “rebatizados” bélicos.  Apesar do frenesi anglófobo (posteriormente desaparecido), os times mantiveram seus very british names: River Plate, Racing Club, Boca Juniors… (acima, na foto, a Torre dos Ingleses, atacada por manifestantes e rebatizada como ‘Torre Monumental’)

blog1dedo2bNesta segunda-feira, dia 14 de junho, completaram-se 28 anos do final da Guerra das Malvinas. Nesse dia, em Port Stanley (para os ingleses) ou Puerto Argentino (uma das várias denominações que os argentinos aplicaram a esse vilarejo) o comandante argentino, o general Mario Benjamín Menéndez, assinou a rendição de suas tropas (a Junta Militar, em Buenos Aires, tentou camuflar a catástrofe bélica alegando que havia sido apenas um “cessar fogo”).

As ações bélicas argentinas haviam iniciado dois meses e meio antes, na noite do 1 de abril de 1982 (mas que os militares argentinos – e os governos civis posteriores também – preferiram situar horas depois, já na madrugada do dia 2 de abril, para ser alvo de menos ironias), quando o então ditador do país, o general Leopoldo Fortunato Galtieri – famoso por seu intenso approach ao scotch e demais destilados – invadiu as ilhas, que haviam sido argentinas durante 13 anos (de 1820 a 1833) e que na ocasião estavam em mãos britânicas há 149 anos.


Na manhã do dia 2, quando tornou-se pública a notícia da reconquista das ilhas, dezenas de milhares de pessoas foram à Praça de Mayo dar hurras a Galtieri.

Nos dias seguintes, surgiu um intenso clima antibritânico em Buenos Aires. Esse ambiente de agressividade no país contra tudo o que fosse proveniente das terras de Shakespeare, Churchill e a cachorrinha Lassie consolidou-se com a decisão da primeira-ministra Margareth Thatcher de tentar retomar o arquipélago e enviar a Royal Navy.

A Argentina, até esse momento, havia sido talvez o ponto da América do Sul que havia exibido maior influência da cultura inglesa. Não era à toa que o ditado popular definia o cidadão argentino como “um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês”.

Com a guerra, o governo militar argentino, que abominava o rock britânico – por considerá-lo ‘degenerado’ – encontrou uma desculpa para proibir toda transmissão de músicas em inglês de autores ou intérpretes que fossem súditos de sua Majestade. Mas, como não podia deixar os jovens sem esse ritmo, autorizou que em seu lugar as rádios na Argentina transmitissem até então pouco divulgado rock nacional. Os roqueiros argentinos, graças à guerra das Malvinas, encontraram uma oportunidade para serem conhecidos pelo grande público. Por estas ironias do destino, roqueiros como Charly García, Fito Páez e León Gieco tiveram seu boom a partir dessa virada que a guerra provocou na cultura argentina.

Enquanto isso, multidões enfurecidas começaram a apedrejar escolas de inglês e empresas que ostentavam nomes britânicos. 

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Ditador L.F.Galtieri em seu ponto culminante de poder, após anunciar a reconquista argentina das Malvinas, desata onda anti-inglesa (menos para os times de futebol)

blog1vinheta58 DE DUAS PARA APENAS UMA NACIONALIDADE – A farmácia “La Franco-Inglesa”, para evitar problemas com multidões fanatizadas, optou por cortar uma de suas ‘nacionalidades’, e assim, amputou de seu cartaz a palavra “Inglesa”.

Desta forma, esta farmácia, fundada em 1892, situada na tradicional ‘calle’ Florida, número 301, transformou-se na farmácia “La Franco”.

Na mesma ‘calle’ Florida estava o café “Florida Garden”, ponto de encontro de espiões durante a guerra. O estabelecimento foi rebatizado com o nome mais espanhol de “Jardín Florida” para evitar problemas com eventuais anglófobos.

blog1vinheta58 BAR SEM UMA SÍLABA – Outra vítima do patrulhamento de nomenclaturas desatado pela guerra foi o “Bar Británico”, localizado na esquina das ruas Brasil e Defensa, no bairro de San Telmo, na frente do Parque Lezama.

O bar – cujos donos eram imigrantes espanhóis da região da Galícia – havia recebido esse nome nos anos 40 por causa dos veteranos britânicos da Primeira Guerra Mundial que frequentavam o lugar. O bar também foi frequentado pelo escritor Ernesto Sábato, que nele inspirou-se para seu livro “Sobre heróis e tumbas”.

Na primeira semana da guerra das Malvinas seus vidros destroçados com pedradas. Assustados, os donos – pacíficos galegos que jamais haviam imaginado que seriam encarados como propagandistas da rainha Elisabeth II – decidiram mudar o nome do bar.

Mas, com pressa – e com medo de um novo ataque – os donos consideraram que a solução mais eficaz e rápida seria a de remover a primeira sílaba do emblemático estabelecimento.

Assim, o Bar Británico transformou-se em “Bar Tánico”. Anos depois, um turista grego avisou que ‘tánico’ era uma referência a “tánatos”, isto é, “morte”. Os donos do bar, levando em conta que a guerra havia passado e os ânimos violentos estavam adormecidos, rebatizaram o estabelecimento como “Bar Británico”.

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Plácido bar atendido por septuagenários garçons foi atacado em 1982 por ter nome alusivo à Grã-Bretanha. Bar Británico, às pressas, mudou seu nome para ‘Bar Tánico’. Posteriormente readquiriu a sílaba perdida na guerra.

blog1vinheta58 COMO NA IDADE MÉDIA – Na primeira semana da guerra a Torre dos Ingleses foi atacada por centenas de pessoas enfurecidas que – tal como na Idade Média – derrubaram os portões de bronze da base com um poste transformado em aríete. Integrantes da multidão subiram até o topo da torre onde destruíram o imenso relógio ali instalado, além dos vidros.

A torre – que havia sido construída com doações de anglo-argentinos para homenagear o centenário da Revolução de Maio de 1810, início do processo de independência da Argentina – era um marco da arquitetura portenha (há poucos anos foi restaurada).

Para impedir o ataque da multidão, de nada valeu a frase gravada sobre a porta de entrada, entre os escudos da Argentina e da Grã-Bretanha: “salve o grande povo argentino, da parte dos residentes britânicos, 25 de maio 1810-1910”.

Dias após o ataque, a torre foi rebatizada de “Torre Monumental” (apesar da troca de denominação, ela continua sendo popularmente chamada de ‘Torre dos Ingleses’).

A ex-torre dos ingleses está em uma praça na frente da estação de trens de Retiro (estação que dá nome ao bairro). Antes da guerra denominava-se Praça Britannia. Mas, após a invasão de Galtieri às Malvinas, essa área foi rebatizada de “Praça Força Aérea Argentina”.

blog1vinheta58 ESTÁTUA NO FUNDO DO RIO – Nessa praça existia uma estátua do primeiro-ministro britânico George Canning, ali instalada em 1937. Ela foi pichada durante a guerra das Malvinas. No entanto, não sobreviveu ao segundo aniversário da invasão de Galtieri: em 1984 um grupo de militantes peronistas marchou até a estátua.

Um dos homens do grupo laçou a cabeça de Canning e amarrou a corda em uma camionete, que acelerou até derrubar o monumento. Canning – enquanto o grupo de militantes gritava cânticos tradicionais de estádios de futebol – foi arrastrado até a beira do rio da Prata e jogado em suas águas.

O próprio Canning também aparecia na cartografia portenha com uma avenida, que vai desde Palermo até Villa Crespo. Neste caso, o nome dessa via já havia sido trocada em 1974, durante o último governo do general Juan Domingo Perón, que pretendia homenagear um pensador argentino, Raúl Scalabrini Ortiz.

Em 1976, com o golpe militar, a avenida voltou a ser Canning. Mas, com a guerra, o nome foi novamente trocado. Embora seja de novo “Scalabrini Ortiz”, os moradores da região (especialmente aqueles com mais de 50 anos de idade) costumam chamar a avenida de Canning, tal como ela foi durante quase todo o século XX.

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River Plate confronta-se contra o Independiente. Foto de 1939

blog1dedo2bAPESAR DA GUERRA, NOMENCLATURA FUTEBOLÍSTICA INCÓLUME – No entanto, apesar da obsessão anti-inglesa que tomou conta de vários setores da sociedade argentina no meio do frenesi da Guerra das Malvinas, nem a ditadura militar e sequer os mais acirrados manifestantes propuseram atacar os times de futebol, que ostentavam (e ainda ostentam) sonoros nomes ingleses.

Enquanto a Torre dos Ingleses era alvo de incêndios; escolas de inglês eram atacadas com coquetéis molotov, bares e cafés com nomes alusivos à Grã-Bretanha eram apedrejados – e ruas com nomes ingleses eram rebatizadas – os estádios dos times ficaram incólumes, longe de qualquer anglofobia.

Os torcedores não perceberam a sonoridade britânica dos nomes do “River Plate” (Rio da Prata em inglês) e Boca ‘Juniors’?  Ou, se perceberam, talvez consideraram que seria demasiada heresia alterar os nomes dos clubes que idolatravam. Estariam os clubes acima da anglofobia que imperava no país? Esse é um assunto para psicanalistas esportivos analisarem.

Além dos óbvios River Plate e Boca Juniors, na lista dos times que ostentam nomes ingleses na Argentina estão…

– Racing Club

– Newell’s Old Boys

– All Boys

– Banfield

– Chaco For Ever

– Temperley

…entre outros.

No entanto, após a derrota na Guerra das Malvinas, a sociedade argentina encontrou no futebol uma forma de vendetta contra a Inglaterra.

O futebol já havia tornado-se um campo de batalha entre a Argentina e a Inglaterra em 1966, quando ambas seleções confrontaram-se em Londres. Na ocasião, a Argentina perdeu de 1 a 0, fato que causou profunda irritação em Buenos Aires, onde a imprensa atacou o árbitro, acusado de parcialidade.

Na ocasião, os cartolas da Associação de Futebol da Argentina (AFA) também irritaram-se e criticaram o desenlace do jogo em Londres com alusões à conquista das Malvinas por parte da Grã-Bretanha em 1833: “os ingleses não se conformam em nos roubar as Malvinas e agora também nos roubam jogos de futebol!!”.

Para complicar, o capitão argentino, Antonio Rattin, foi expulso após cometer duas faltas. Cansado, sentou-se sem querer no tapete vermelho da rainha Elisabeth II (que não estava presente na ocasião, pois somente havia participado da abertura da Copa).

Os torcedores britânicos, irritados, começaram a jogar objetos sobre o jogador argentino, que, zangado levantou-se e saiu do campo. Mas, no meio do caminho pegou uma bandeirola inglesa à beira do gramado e a amarrotou levemente. A torcida inglesa gritava “animals, animals!” desde as arquibancadas. O gesto tornou Rattin no jogador mais comentado dessa Copa (a ‘amarrotada’ de Rattin, aqui ).

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Gol do Uruguai contra a Argentina na final de 1930, em Montevidéu. O Uruguai seria o rival comme il faut da Argentina na maior parte do século XX. Depois, foi o Brasil. Mas, desde 1982, por questões geopolíticas, Inglaterra ocupa esse posto.

blog1vinheta60 INGLATERRA, MAIS DO QUE O BRASIL – Uma década e meia depois, a guerra das Malvinas potenciou a rivalidade argentino-britânica.

Neste ponto, é preciso fazer um resumo célere das rivalidades argentinas no futebol.

Podemos dizer que desde o início do século XX o rival futebolístico comme il faut da Argentina foi o Uruguai, país com o qual os argentinos possuíam vários pontos culturais, políticos, históricos e gastronômicos em comum. A Argentina perdeu a Copa do Mundo para a seleção uruguaia em 1930. A derrota ocorreu em Montevidéu, a curta distância de Buenos Aires.

Os times uruguaios e argentinos, até pela proximidade geográfica, confrontavam-se com mais frequência entre si do que com times de outros países, entre eles, o Brasil.

Até o início dos anos 60 o Uruguai foi o rival principal dos argentinos, pelo menos, no imaginário coletivo. Nessa mesma década, o Brasil começou a ocupar esse lugar.

O posto de rival principal foi consolidado nos anos 80 pelo Brasil.

Mas, em 1982, a guerra das Malvinas deslocou o Brasil do imaginário coletivo argentino como o principal rival a derrotar nos estádios. Não por questões esportivas, mas por questões geopolíticas.

Desta forma, enquanto que – supostamente – para os brasileiros poderia não existir sabor mais supremo do que infligir uma derrota à seleção argentina, para os argentinos não haveria maior delícia do que derrotar a Inglaterra.

Pesquisas publicadas na imprensa portenha nas copas de 2002 e 2006 indicaram que em caso do Brasil confrontar-se com a Inglaterra, mais da metade dos argentinos torceriam a favor do Brasil.

O cientista político Vicente Palermo, especialista em Malvinas, além de ser um profundo estudioso do Brasil, afirma que “a rivalidade argentino-brasileira no futebol é intensa. Mas é essencialmente presente. Cada jogo renova o conflito esportivo, que não somente carece de conotações extra-esportivas, mas também de qualquer raiva por ambas partes, inteiramente desprovisto de contas a saldar”. No entanto, segundo Palermo, “a oposição futebolística argentino-inglesa é completamente diferente”. O politólogo considera que contra a Inglaterra “não se trata somente da profusão de conotações extra-futebolísticas, mas sim, principalmente, de que é um vínculo estabelecido no passado: revive e se restabelece no passado em cada ocasião”. O especialista sustenta que neste caso, para os torcedores argentinos, “cada jogo está carregado de passado e é a ocasião para a vingança”.

Um dos sinais mais evidentes da preferência argentina em derrotar a Inglaterra (trauma para muitos no Brasil, por questões de algo que poderíamos pitorescamente chamar de “ódios não correspondidos”) é que os dois gols mais recordados pelos argentinos são duas marcas realizadas contra a Inglaterra (e não são gols feitos contra o Brasil).

Os dois gols em questão foram realizados na Copa do Mundo de 1986, no México.

O autor de ambos gols foi o então jogador número 10 da seleção argentina, Diego Armando Maradona, atual técnico da seleção de seu país.

Um dos gols de Maradona foi aquele marcado com a denominada “Mano de Dios” (Mão de Deus), isto é, a própria mão de Maradona, que passou desapercebida para o árbitro, que validou o gol.

O outro gol foi conseguido após driblar seis jogadores ingleses (incluindo o próprio goleiro inglês).

Este segundo gol levou o prêmio de “Gol do Século” ou “O melhor gol da História da Copa Mundial de Futebol”, definido em uma pesquisa na internet feita pela FIFA em 2002. O próprio Maradona referiu-se a ambos gols como uma vingança contra a Inglaterra pela derrota argentina nas Malvinas.

E, para aumentar a rivalidade entre os dois países – fato que exclui totalmente o Brasil deste assunto – o denominado “segundo gol do século” (o que está em segundo posto nesse ranking) foi (ironias do destino futebolístico) um gol infligido pelos ingleses aos argentinos.

Esse outro gol foi de autoria de Michael Owen, que na Copa do Mundo da França de 1998 desferiu um gol contra a Argentina após significativa exibição de virtuosismo no gramado (como careço de background sobre coreografias e manobras para implementar gols, me abstenho de realizar considerações sobre os eventuais méritos estéticos deste ou de qualquer outro gol. Portanto, comento o ranking supracitado exclusivamente pelo fato de ter sido elaborado pelo organismo encarregado desse esporte, isto é, a FIFA).

A historiadora Emma Cibotti, em seu livro “Queridos inimigos” (sobre a rivalidade argentino-inglesa) da editora Aguilar, ressalta a existência da expressão popular “contra os ingleses é melhor”.

Cibotti também recorda a frase sempre cantada pela torcida argentina, quando pula nas arquibancadas ou nas praças para estimular a seleção: “quem não pula é um inglês”. Mesmo que o jogo não seja contra a Inglaterra…

Cibotti também afirma que desde que a guerra das Malvinas acabou, os ‘poréns’ contra a Inglaterra foram significativamente reduzidos: “desde essa época, a anglofobia passeia apertada em um punho… mas só dentro dos campos de futebol”.

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O brasileiro Campos Salles e o argentino Roca, amantes do cavalheirismo nos campos de futebol

blog1vinheta55 PS: RIVALIDADE COM O BRASIL E CAVALHEIRISIMO

Aqui segue o link para uma postagem de setembro passado, no qual comentamos os tempos em que o cavalheirismo predominava no futebol. E, neste caso, em um jogo da Argentina com o Brasil. Aqui.

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EM CAFÉS, NA EMBAIXADA E NA CASA DE ARGENTINOS ‘BRASILÓFILOS’, COMUNIDADE BRASILEIRA ACOMPANHOU O JOGO DE ESTRÉIA

blog1hand-prawo4 Na ausência de bairro equivalente a um “Little Brazil” que aglutine os escassos 7 mil brasileiros que residem na área da cidade de Buenos Aires e sua região metropolitana (em todo o país morariam 35 mil brasileiros, especialmente concentrados na área da fronteira), os torcedores do Brasil espalharam-se nesta terça-feira em cafés e restaurantes para assistir o jogo do Brasil contra a Coreia do Norte. Os brasileiros também optaram por acompanhar o embate transmitido pela TV em suas próprias residências ou na casa de amigos argentinos “brasilófilos”.

Tal como costuma fazer em todas as copas desde 1998, a sede administrativa da Embaixada do Brasil em Buenos Aires abriu seu auditório para que os torcedores pudessem assistir o jogo em dois telões. Diplomatas, executivos de empresas brasileiras instaladas na Argentina, além de turistas e residentes brasileiros em Buenos Aires acompanharam o primeiro tempo com angústia.

Entre os torcedores presentes estava a mineira Selma Pinheiro dos Santos, residente na Argentina há nove anos. “O time está esquentando ainda. Não está indo bem, mas no final vai dar certo e ganhará”, disse ao Estado no décimo-quinto minuto do jogo.

No intervalo, a dez quarteirões dali, na calçada do bar “Locos por el fútbol” no bairro da Recoleta, na esquina das ruas Azcuénaga e Vicente López, o paulista Rogério Barbosa – que está em Buenos Aires por trabalho durante esta semana – ostentava uma camiseta da seleção brasileira e analisava o primeiro tempo com seu colega Marcelo Zanolla.

“Acho que esta seleção não tem confiança”, ressaltou Barbosa ao Estado. “Temos jogadores talentosos. Mas falta que esses talentos joguem de forma conjugada”, completou Zanolla.

RESPIRANDO ALIVIADA – Com o segundo tempo iniciado, no bairro de Palermo, a gaúcha Elena Fernandes começava a respirar aliviada. “Agora, depois do gol do Maicon, estou mais tranquila…mas no primeiro tempo, foi impossível”, afirmou Elena por telefone ao Estado.

Elena, que reside em Buenos Aires há dois anos e meio, onde é subgerente de um hotel no bairro de Palermo, teve uma licença de seu trabalho para assistir o jogo na casa de uma amiga paraibana que mora na capital argentina. Elena vestiu uma camiseta com os dizeres “Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste” para assistir o jogo. Segundo ela, “a maioria” de seus amigos argentinos “torce para o Brasil”.

UM BRASILEIRO E 30 ARGENTINOS – No centro da cidade, o mineiro Carlo Moiana Turtelli, que trabalha no setor de informática de uma empresa petrolífera em Buenos Aires há meia década, era ontem o único brasileiro no meio de trinta argentinos que assistiam o jogo.

“Não sou exatamente um fanático do futebol”, explicou Carlo ao Estado. Mas, apesar disso, fez uma sucinta avaliação do desempenho da seleção brasileira após o segundo gol: “como dizem aqui na Argentina, parece que os jogadores ‘se están poniendo las pilas’ (“estão colocando as pilhas”, expressão que indica que estão se esforçando).

‘AMO CAMBORIÚ’ – Mozart de Aquino, estudante brasileiro, relatou ao Estado que foi convidado por um grupo de amigos argentinos ‘brasilófilos’ para assistir o jogo contra a Coreia do Norte na casa de um deles no bairro de Boedo. O grupo de quatro amigos, auto-definidos como “fanáticos” pelo Brasil (música, praias, garotas, economia e política), vestiu camisetas da seleção brasileira. Um deles, no entanto, por carecer de tal vestimenta, homenageou o Brasil com uma camiseta com os dizeres “Eu amo Camboriú”.

“Levei uma garrafa de Velho Barreiro para celebrar”, explicou Mozart. “E eles ofereceram empanadas… foi uma boa mistura!”.

GOLS E CHURRASCO – Enquanto isso, a 40 quilômetros de Buenos Aires, em La Plata, capital da província de Buenos Aires, Lívia Stevaux, estudante brasileira de cinema, que ali reside há quatro anos, assistiu o jogo acompanhada de seis amigos brasileiros e dois argentinos. Todos usavam camisetas da seleção brasileira, inclusive os argentinos. “Um dos argentinos morou no Brasil vários anos, enquanto que o outro é casado com uma brasileira”, explicou ao Estado por telefone.

“O primeiro tempo foi triste. Mas, depois, no segundo tempo, ficamos contentes e começamos a gritar de alegria”, disse Lívia. No entanto, apesar da vitória, considerou que o desempenho do time “não poderia ser classificado de satisfatório. A Coreia do Norte era um time supostamente fraco. Não sei como será quando o Brasil tiver que enfrentar um time bom de verdade…”.

Na terça-feira da semana que vem, Lívia acompanhará o jogo da Argentina contra a Grécia em sua casa em La Plata, em companhia de seus amigos argentinos, onde saborearão um suculento churrasco enquanto assistem o embate pela TV.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

blog1vinhetalendonewsstand3 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão 

Gustavo Chacra (Nova York): http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/ 
Patricia Campos Mello (Washington) – http://blogs.estadao.com.br/patricia-campos-mello/ 
Claudia Trevisan (Pequim) – http://blogs.estadao.com.br/claudia-trevisan/ 
Adriana Carranca (Pelo Mundo) – http://blogs.estadao.com.br/adriana-carranca/ 

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