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Próximo presidente da Argentina herdará cúpula de espiões de Cristina Kirchner

arielpalacios

28 Janeiro 2015 | 08h45

BlogMilani

 

Presidente Cristina Kirchner e seu especialista em inteligência, o general Cesar del Corazón de Jesús Milani.

blog1dedo2bO próximo presidente da Argentina, que tomará posse no dia 10 de dezembro, herdará da presidente Cristina uma agência de inteligência com uma cúpula de comando designada pelo kirchnerismo, caso o projeto de lei da presidente Cristina Kirchner sobre a criação de um novo sistema de espionagem seja aprovado nas próximas semanas. “Esta é uma bomba-relógio que Cristina está deixando para o próximo governo”, afirmou a deputada Margarita Stolbitzer, do partido GEN, de oposição.


Segundo o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, do partido Proposta Republicana e candidato às eleições presidenciais de outubro deste ano, Cristina – a onze meses do fim de seu mandato – “quer condicionar o próximo presidente”. Integrantes da oposição ressaltam que Cristina pretende colocar dentro do novo esquema de espionagem representantes de “La Cámpora”, denominação da juventude kirchnerista.

A presidente Cristina, na segunda-feira à noite, anunciou que enviará um projeto de lei para a dissolução da Secretaria de Inteligência e sua substituição pela Agência Federal de Inteligência. Ela justificou esse projeto argumentando que ex-espiões do serviço secreto argentino estiveram armando “complôs” contra seu governo. Entre essas supostas conspirações, segundo indicou, estariam as denúncias realizadas pelo promotor federal Alberto Nisman contra a presidente Cristina. Segundo Nisman, ela teria ordenado em 2012 uma operação de encobrimento de autoridades iranianas responsáveis pelo atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em 1994.

Representantes da oposição reuniram-se ontem para discutir estratégias para solicitar perante o Parlamento a revogação do acordo assinado em 2013 com o Irã para criar uma Comissão da Verdade para investigar o atentado contra a AMIA.

MILANI – Analistas afirmam que o general César del Corazón de Jesús Milani está sendo o principal fortalecido interno do governo na crise gerada pelo caso Nisman. Milani é o chefe do exército argentino e – além de ser o militar favorito da presidente Cristina – é um especialista em inteligência militar. Integrantes da oposição acusaram Milani no ano passado de montar uma rede para espionar setores críticos do governo Kirchner.

Coincidentemente, no ano passado o setor de Inteligência do Exército teve um aumento de 31,8% em seu orçamento, enquanto que a Secretaria de Inteligência (SI), controlada por civis, teve um aumento de 16%. A inteligência militar mantém baixo perfil, longe do controle dos parlamentares, enquanto que a SI costuma estar sob o olhar atento da imprensa e da oposição.

Por lei, desde o fim da ditadura militar (1976-83) as forças armadas argentinas não podem realizar tarefas de inteligência interna, dedicando-se somente a atividades para prevenir hipóteses de conflito com outros países. No entanto, os analistas políticos coincidem que, desde os acordos entre os presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín no final dos anos 80 (que originaram, posteriormente, a criação do Mercosul) e o acordo de fronteiras com o Chile, em 1984, o país não conta com hipóteses de conflito.

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hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos” recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

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