Hit parade da necro-política local: Seis décadas de “suicidados” argentinos
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Hit parade da necro-política local: Seis décadas de “suicidados” argentinos

arielpalacios

25 Janeiro 2015 | 21h56

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Revista estampa imagem de Juan Duarte comunicando o falecimento do cunhado do presidente Perón. O primeiro grande caso dos peculiares “suicidados” argentinos.

blog1dedo2bIrmão da mítica Evita Perón e cunhado do poderoso presidente Juan Domingo Perón. Este era o status de Juan Duarte, um playboy cujas negociatas – pouco discretas – atrapalhavam a imagem do governo peronista. Em 1952 sua irmã morreu de câncer, deixando “Juancito” sem sua proteção perante Perón, cada vez mais cansado com a Casanova provinciano. Na noite do 8 de abril de 1953 Duarte foi a festas em cabarés. Quando voltou – segundo a versão oficial – escreveu uma carta declarando inocência perante as acusações de corrupção e disparou um tiro na cabeça.

No entanto, a letra da carta era radicalmente diferente à grafia de Duarte (em um P.S. o autor da carta pedia “Perdão pela letra”). De quebra, a arma caída ao lado de seu corpo era calibre 38. Mas o buraco gerado pelo disparo (e a bala encontrada dentro do crânio) era calibre 45.


A falta de profissionalismo dos assassinos nativos para simular suicídios persistiu ao longo das décadas. No dia 25 de agosto de 1998 a diarista do capitão-de-navio da reserva Horacio Pedro Estrada tentou abrir a porta do apartamento de seu patrão para mais um dia de limpeza. Mas, estava fechada com chave, por dentro. Ali dentro estava o cadáver de seu patrão. O revólver estava na mão esquerda de Estrada. Mas ele era destro, e não canhoto. O tiro era na nuca.

Estrada estava prestes a prestar depoimento pela trama do escândalo de vendas ilegal de armas da Argentina ao Equador e a Croácia organizada pelo presidente Carlos Menem, que consistiu no envio ilegal ao território croata de 6.500 toneladas de armas e munições.

Um ano depois a principal testemunha do caso de corrupção IBM-Banco Nación, Marcelo Cattáneo apareceu morto. Segundo o governo Menem, havia sido um “suicídio”. Cattaneo era suspeito de ter sido o “distribuidor” dos US$ 21 milhões de subornos do caso.

Convocado para prestar depoimento na Justiça, dizia aos parentes que sentia-se um bode expiatório e afirmava que queria “contar tudo” o que sabia. No entanto, nunca chegou a “contar tudo”. Desapareceu no dia 1 de outubro de 1998. Reapareceu no dia 4. Mas, em outro estado.

Segundo a Polícia, deixou o carro, caminhou 40 quarteirões, escalou um muro, subiu por uma torre metálica, armou um laço de náilon com um nó simples (e não de forca, que desliza) e pulou da torre. Antes de saltar colocou os óculos escuros (era de noite) e, dentro da boca, um recorte do jornal “La Nación”, de três dias antes, falando sobre seu desaparecimento.

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hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

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