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Um momento off-Copa: O dia em que o irreverente Borges desafiou a ditadura e o futebol

arielpalacios

12 junho 2014 | 12:40

De Jorge Luis Borges: “Deixem de baboseiras. A pátria não é o futebol. A pátria é o tango e o ‘dulce de leche’(doce de leite)”.

O irônico escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), autor de “O Aleph” e “Ficções”, protagonizou uma peculiar rebeldia cultural em 1978, quando a Copa do Mundo estava sendo disputada em seu país.

Milhares de pessoas estavam sendo torturadas nos centros clandestinos de detenção. No entanto, a população estava em frenesi pelo evento esportivo do qual o país comandado pelo general Videla era anfitrião.

Integrantes das Mães e Avós da Praça relataram posteriormente como elas choravam baixinho na cozinha pelo desaparecimento de seus filhos e netos enquanto seus maridos gritavam em êxtase os gols na sala de estar na frente do televisor.

Borges – sem interesse algum pelo futebol – decidiu pronunciar uma conferência em Buenos Aires no mesmo minuto em que a seleção argentina iniciava seu primeiro jogo (contra a seleção da Hungria).

A palestra do irreverente Borges foi encarada por diversos setores como um desafio ao “patriotismo” e à própria ditadura (que Borges ingenuamente havia elogiado em seus primeiros meses de regime, tal como o escritor Ernesto Sábato, mas a qual começou a criticar duramente pouco depois, respaldando as famílias dos desaparecidos).

Grupos de fanáticos nacionalistas tentaram impedir a realização da palestra literária.

Borges, aos 79 anos de idade, não se intimidou.

O assunto da conferência borgiana em 1978: “A Imortalidade”.

O texto dessa conferência proferida no dia 5 de junho de 1978, aqui.

E, recordando que esta jornada é o Dia dos Namorados, vamos com Frank Sinatra, “Too marvelous for words”:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

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