Único ADN na arma da morte de Nisman era do próprio promotor (sequer o ADN de quem emprestou a arma)
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Único ADN na arma da morte de Nisman era do próprio promotor (sequer o ADN de quem emprestou a arma)

arielpalacios

31 Janeiro 2015 | 10h10

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blog1dedo4A promotora Viviana Fein, que investiga a morte do promotor federal Alberto Nisman, ocorrida no domingo 18 de janeiro com uma bala na cabeça, anunciou nesta sexta-feira que os únicos vestígios de ADN encontrados na arma calibre 22 foram do próprio morto. Desta forma, os peritos não encontraram sequer rastros genéticos do dono da arma, o técnico em informática Diego Lagomarsino, que emprestou a arma ao promotor na véspera de sua morte.

A promotora também confirmou que as escadas do edifício onde morava Nisman, no bairro de Puerto Madero, não possuem câmeras de segurança. Além disso, as câmeras do elevador de serviço não estavam funcionando no fim de semana da morte de Nisman.

Dias antes de sua morte Nisman havia denunciado a presidente Cristina Kirchner por ter ordenado em 2012 um suposto encobrimento de um grupo de altas autoridades iranianas que teriam realizado em 1994 o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA).


Na semana passada a promotora Fein declarou que não existiam sinais de pólvora na mão direita de Nisman, embora essa mão – na hipótese de suicídio – teria sido usada para disparar a arma.

Enquanto isso, o governo da presidente Cristina Kirchner aponta Lagomarsino como o principal suspeito da misteriosa morte do promotor federal. No início da semana a presidente Cristina Kirchner, em rede nacional de TV, insinuou que Lagomarsino e Nisman eram “amigos íntimos”. Além disso, Cristina, tentou enquadrar o técnico como um “opositor”, citando tuítes que Lagomarsino havia colocado em sua conta pessoal de Twitter de maio de 2013, xingando a presidente argentina.

De quebra, a presidente afirmou que seu irmão era um “alto executivo” de uma empresa associada o Grupo Clarín, holding multimídia que considera seu “inimigo número um”. No entanto, o irmão de Lagomarsino não era um alto executivo, mas sim, um freelancer da empresa que nunca teve vínculos de sociedade com o Clarín.

O secretário-geral da presidência, Aníbal Fernández, também criticou Lagomarsino. “Esse moço começa a nos preocupar, pois fazia serviços de inteligência nas marchas de Cromañón”, em referência aos protestos feitos desde 2004 pelos parentes das vítimas de um incêndio em uma discoteca em Buenos Aires, que eram seguidos de perto pelos serviços de inteligência durante o governo do então presidente Néstor Kirchner (2003-2007).

ESPIÕES – A presidente Cristina, que na segunda-feira havia anunciado um projeto de lei para dissolver a Secretaria de Inteligência (SI) para substitui-la por uma estrutura totalmente nova, a Agência Federal de Inteligência (AFI), assinou um decreto que aumenta os salários dos espiões a partir do dia 1 de fevereiro.

Os 2 mil agentes de inteligência orgânicos da SI serão transferidos para a AFI. Mas, a nova agência ficará sem as prerrogativas que possui atualmente para os grampos telefônicos, que passaria para a Procuradoria-Geral da República, comandada por Alejandra Gils Carbó, declarada militante kirchnerista.

AVARIADA – A presidente Cristina Kirchner, em discurso de uma hora de duração ontem na Casa Rosada, o palácio presidencial, não fez referências diretas ao Caso Nisman. No entanto, fez alusões elípticas, às investigações da Justiça argentina sobre a participação de iranianos no atentado contra a AMIA: “não vamos trazer para cá o drama de outras regiões, remotas, deste planeta, onde existem que pessoas que jogam bombas umas nas outras, além de mísseis, tortura-se e mata-se”.

Cristina rebateu as críticas feitas pela Associação de Magistrados sobre seus comentários sobre o caso Nismam, entre os quais, o de indicar Lagomarsino como suspeito, que foram considerados uma “interferência” na Justiça: “ninguém pode dizer à presidente que não fale. Eu vou continuar falando!”

Cristina, sem explicitar o contexto, também afirmou que está “avariada – como em uma batalha naval – mas jamais afundada”.

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Para embalar este sábado dia 31 de janeiro, Oscar Peterson interpreta “Goodbye”:

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hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos” recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

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