China testará mosquitos contaminados por bactéria contra zika
As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

China testará mosquitos contaminados por bactéria contra zika

Testes devem ser iniciados em março, segundo infectologista que chefia estudos em Guangzhou

Felipe Corazza

05 Fevereiro 2016 | 15h49

O governo chinês anunciou hoje que testará mosquitos contaminados com a bactéria Wolbachia para intensificar seu combate à dengue e, teoricamente, evitar contágios pelo zika vírus no país. O teste foi anunciado pelo infectologista Xi Zhiyong, que chefia as pesquisas sobre o assunto na Universidade Sun Yat-sen, na cidade de Guangzhou. Segundo agência estatal Xinhua, o processo deve ser levado a campo no início de março.

O uso de Aedes aegypti infectados com a Wolbachia para combater a transmissão de vírus foi iniciado após pesquisas da Universidade de Monash, na Austrália. A atuação da bactéria nos mosquitos, de acordo com os pesquisadores australianos, teria capacidade de impedir que o vírus da dengue se instale nos tecidos do organismo. Além disso, a bactéria ajudaria a reduzir a população de mosquitos, já que ovos de fêmeas saudáveis fecundados por machos contaminados não prosperam.

Quadro ilustrativo da situação reprodutiva dos mosquitos infectados com Wolbachia (Crédito: Comunicação/Instituto Oswaldo Cruz)

Quadro ilustrativo da situação reprodutiva dos mosquitos infectados com Wolbachia (Crédito: Comunicação/Instituto Oswaldo Cruz)

A China ainda não registrou casos de zika, mas surtos de dengue são comuns no país  – especialmente no sudoeste, onde as temperaturas mais altas persistem ao longo do ano e as chuvas são mais frequentes e abundantes, mantendo ambientes propícios à proliferação do Aedes aegypti e do Aedes albopictus, como mostra, por exemplo, um estudo publicado pelo Centro Nacional de Controle de Doenças chinês a respeito da presença do Aedes albopictus no país.


Em 2015, a Província de Guangdong registrou 791 casos de dengue. Em 2014, o número foi quase 90% maior. Apesar da queda, Pequim demonstra preocupação com o zika, entre outros aspectos, pela intensa movimentação portuária e aeroportuária nas regiões com maior população de mosquitos.

No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciou, em 2012, adesão à estratégia internacional “Eliminate Dengue: Our Challenge” para testar o uso dos mosquitos infectados com Wolbachia. A soltura dos animais infectados foi iniciada em 2014 e, até o ano passado, cerca de 200 mil já haviam sido liberados no Rio de Janeiro.

Mais conteúdo sobre:

ChinadengueFiocruzWolbachiazika
0 Comentários