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Trump sugere executar terroristas muçulmanos com balas banhadas em sangue de porco

Reagindo ao atentado de Barcelona, presidente cita lenda sobre general americano que governou província nas Filipinas

Felipe Corazza

17 Agosto 2017 | 17h39

O presidente dos EUA, Donald Trump, parece mesmo disposto a dobrar sua aposta em declarações constrangedoras. O líder da Casa Branca reagiu pelo Twitter ao atentado de Barcelona nesta quarta-feira (17) lamentando as mortes e condenando o ataque, mas, em seguida, na rede social um mito que já havia lhe causado problemas durante a campanha eleitoral. Trump pediu a seus seguidores que estudassem o que o “general Pershing fez aos terroristas quando os pegou”. Segundo ele, o militar americano conseguiu evitar ataques terroristas “por 35 anos”.


O tuíte se refere a um mito atribuído a John Joseph Pershing, general que foi governador de uma província nas Filipinas após a guerra entre os EUA e o país asiático. Pershing comandou o governo de Moro, região de predomínio muçulmano, entre 1909 e 1913, após a vitória americana.

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Segundo a lenda que circula nos EUA há décadas, Pershing teria capturado 50 extremistas islâmicos que tentavam desestabilizar o domínio americano realizando ataques terroristas. O general teria, então, mergulhado projéteis em sangue de porco e executado 49 deles, deixando o último livre para relatar à população o que havia ocorrido. Assim, segundo o mito, o militar americano teria apavorado a comunidade muçulmana – a religião proíbe a ingestão de porco e seus derivados – e impedido a realização de novos ataques.

Ainda na época da campanha, historiadores e veículos de comunicação desbancaram a história, dando detalhes sobre o período em que o general comandou a Província de Moro e mostrando que a história nunca foi comprovada. Além disso, pelas leis internacionais vigentes, Trump estaria defendendo um crime de guerra – a execução de prisioneiros.

Anos após seu serviço nas Filipinas, o general Pershing comandou forças dos EUA na 1.ª Guerra. Não há qualquer registro da história do “sangue de porco”. Em 2016, oito historiadores consultados pelo site PolitiFact afirmaram que o relato que circula popularmente é falso.

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