A neve artificial

A neve artificial

Cláudia Trevisan

01 Novembro 2009 | 10h38

O calendário diz que ainda estamos no outono, mas Pequim amanheceu hoje coberta de neve. A temperatura caiu abaixo de zero e os moradores tiraram seus pesados casacos do armário antes do tempo. Todos estranharam a quantidade de neve que caiu durante a manhã, muito maior do que a registrada no auge do inverno, mas o mistério foi esclarecido à tarde: o Escritório de Modificação do Tempo de Pequim informou que havia utilizado produtos químicos para intensificiar a tempestado, com o objetivo de amenizar a seca que atinge a região norte do país.

Sim, Pequim tem um departamento governamental responsável pela modificação do tempo, o mesmo que garantiu um impecável dia azul no dia 1º de outubro para as celebrações dos 60 anos da Revolução Comunista e um dia sem chuva na abertura da Olimpíada de 2008. Segundo Zhang Qiang, responsável pelo escritório, disse à imprensa oficial chinesa que as nuvens foram bombardeadas com 186 doses de iodeto de prata a partir das 8h da manhã de sábado. “Nós não vamos perder nenhuma oportunidade para provocar precipitações artificiais, já que Pequim está sofrendo com uma persistente seca”, afirmou. Pelos seus cálculos, pelo menos 16 milhões de tonadas de neve caíram sobre a cidade como resultado do bombardeamento das nuvens.

Artifical ou não, a neve tem um encanto irresistível, que arrasta crianças para guerra de gelo e leva adultos buscarem o melhor ângulo para suas fotos de “inverno”. Para quem nasceu em um país tropical como eu, é uma forte lembrança de que esta não é a minha casa.

Aí vão as fotos:

A vista da janela do meu apartamento

A entrada do meu condomínio

Vista de prédios e telhados com neve no fim da tarde, quando o sol apareceu