Ataque à Síria deve ser ação mais popular de Trump desde sua posse

Cláudia Trevisan

07 Abril 2017 | 02h12

Depois de uma sucessão de fracassos em seus 77 dias de governo, Donald Trump recebeu elogios de republicanos e democratas por ordenar o bombardeio da base militar síria de onde partiram os aviões responsáveis pelo ataque químico de terça-feira, no qual cerca de 100 pessoas morreram, entre as quais mulheres e crianças. A ação deverá impulsionar a popularidade de Trump, que registra os menores índices de aprovação de presidentes em início de mandato da história recente.

A decisão de realizar o que Barack Obama se negou a fazer em 2013, quando outro ataque químico matou quase 1.500 sírios, também provocou uma reviravolta nas prioridades e nos objetivos declarados da administração americana. A ação parece ter enterrado a ambição de Trump de cooperar com a Rússia no combate ao terrorismo. Principal aliado de Bashar Assad, Moscou luta a seu lado na guerra civil síria, que deixou cerca de 400 mil pessoas mortas desde seu início, há seis anos, e forçou metade dos sírios a abandonarem suas casas.

A ideia de que Trump seria menos intervencionista que seus antecessores também foi colocada em xeque pelo lançamento de 59 mísseis tomahawk contra uma base militar síria, no primeiro ataque direto americano contra posições do governo sírio. Depois de repetir durante meses que os EUA não podem ser “a polícia do mundo”, o novo presidente assumiu o papel de xerife e decidiu que tinha de punir Assad.

A ação promete ser a mais popular adotada por Trump desde o início de seu governo, no dia 20 de janeiro. Horas antes de ele agir, sua rival nas eleições presidenciais, a democrata Hillary Clinton, defendeu exatamente a mesma resposta dos EUA contra o ataque químico de terça-feira. Subsecretário de Estado do governo Obama, Antony Blinken elogiou a decisão de Trump em entrevista à CNN. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, disse que ação militar “era a coisa certa a ser feita” contra Assad. Em uma reação mais previsível, parlamentares republicanos também apoiaram a decisão.


A dúvida agora é se o ataque foi algo isolado, como diz o governo, ou o prenúncio de um maior envolvimento dos EUA na guerra civil síria. O bombardeio de uma única base enviou um recado a Assad, mas está longe de comprometer a capacidade do regime de continuar a matar seus próprios cidadãos. Pouco depois da ação militar americana, o chefe do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, general H.R. McMaster, afirmou que ela não eliminou a capacidade de Assad de realizar outros ataques químicos no futuro.