EUA e China aumentam intercâmbio educacional

Cláudia Trevisan

26 Março 2012 | 10h21

China e Estados Unidos vivem uma relação de dependência econômica e desconfiança política que parece aumentar a cada dia, mas isso não impede que o mundo acadêmico dos dois países esteja cada vez mais integrado. A Universidade de Stanford acaba de se transformar na primeira instituição de ensino norte-americana a ter uma sede dentro da Universidade de Pequim, uma das mais tradicionais da China.

A Stanford investiu US$ 7 milhões na construção de um edifício de 36 mil metros quadrados, que será o quartel general para seus programas de pesquisas no país. O centro também terá missão de estimular a ida de estudantes americanos para a China. Segundo dados de Washington, o número de alunos chineses matriculados em escolas nos Estados Unidos é dez vezes maior que o de norte-americanos em instituições chinesas.

A China ultrapassou a Índia e se tornou a principal origem de alunos estrangeiros em escolas e universidades norte-americanas. No ano passado, eram 157.558 o equivalente a 22% dos estudantes internacionais. Só em Stanford há cerca de 1.000 alunos chineses atualmente e nos últimos dez anos eles lideraram o ranking do número de estrangeiros na instituição.

Em 2010, o presidente Barack Obama lançou projeto que prevê o envio de 100 mil estudantes para a China no período de quatro anos, com o objetivo de equilibrar o fluxo acadêmico entre os dois países. “A necessidade de os americanos ganharem exposição e entenderem a China é clara: talvez não exista nenhuma relação no mundo mais importante ou complexa do que a entre Estados Unidos e China em termos de garantia da paz e segurança globais”, diz texto do Departamento de Estado sobre o projeto.

A Stanford está longe de ser um caso isolado. Várias universidades norte-americanas têm programas de cooperação com instituições chinesas. A Yale atua junto com a Universidade de Pequim e a Columbia tem laços com a Tsinghua, onde se formou o atual presidente chinês, Hu Jintao. A Johns Hopkins é parceira da Universidade de Nanjing no Hopkins-Nanjing Center for Chinese and American Studies. A Missouri State University está na província de Lioning, no nordeste chinês, para citar apenas alguns exemplos.

No Brasil, há pouquíssimas instituições de pesquisa dedicadas ao estudo da China, país que é nosso maior parceiro comercial e dono do segundo maior PIB do mundo. Também há poucos estudantes de chinês e, apesar de crescente, o número de brasileiros em instituições de ensino na China é minúsculo. Está na hora de mudar.