Maior ato de violência do governo Trump não veio de cidadãos de países muçulmanos

Cláudia Trevisan

02 Outubro 2017 | 11h27

O maior caso de violência em massa do governo Donald Trump não foi praticado por um imigrante ou um cidadão de um dos países de maioria muçulmana que foram alvo do veto de entrada nos EUA imposto pelo presidente logo depois de sua chegada à Casa Branca. O gatilho foi puxado por um americano branco de 64 anos.

O presidente baseou sua campanha na retórica do medo, com a qual apresentava os Estados Unidos como um país sob ataque de forças externas, das quais deveria se proteger com um muro ou restrições ao ingresso nos Estados Unidos.

Apoiado pelo lobby da Associação Nacional do Rifle, a NRA, Trump é contra restrições ao porte de armas, algo que é defendido por parcela significativa da população americana. Logo depois do massacre que deixou 49 pessoas mortas em uma casa noturna de Orlando, no ano passado, o presidente disse no Twitter que o número de vítimas teria sido menor se pessoas no local tivessem armas. Sete dias depois, ele esclareceu a mensagem e disse que se referia apenas aos seguranças e não aos frequentadores do local.

Mas a ideia de que mais armas –e não menos- reduziria o impacto dos frequentes tiroteios em massa dos EUA é defendida pelos que se opõem a qualquer limite à sua comercialização. A lógica questionável seria inútil em Las Vegas, onde o atirador mirou em uma multidão de 22 mil pessoas de seu quarto, no 32º andar do hotel Mandalay.


Tiroteios indiscriminados se incorporaram ao quotidiano dos americanos e se tornaram cada vez mais fatais. Mais de 50 pessoas morreram em Las Vegas, o que superou o recorde anterior, de Orlando. Em 2007, 32 estudantes foram assassinados no campus da universidade Virginia Tech. Cinco anos mais tarde, 27 pessoas morreram em um tiroteio em massa na escola primária Sandy Hook, entre as quais 20 crianças de 6 e 7 anos.

Nenhum desses eventos foi suficiente para convencer o Congresso dos EUA a aprovar restrições ao porte de arma. As propostas em discussão são extremamente tímidas e estão longe de ameaçar o culto aos rifles semi-automáticos existente nos EUA. Algumas delas abrangem a checagem de antecedentes e avaliações do estado mental do portador de armas. Outras limitam o número de tiros em cartuchos de munição de armas semi-automáticos, o que reduziria o potencial destrutivo de tiroteios em massa.

O Estado de Nevada, onde fica Las Vegas, tem uma das mais lenientes legislações sobre armas dos Estados Unidos. Segundo a polícia, o atirador tinha dez rifles de assalto em seu quarto de hotel.