Na esteira do #MeToo, acusadoras pedem que Congresso dos EUA investigue denúncias sexuais contra Donald Trump

Cláudia Trevisan

11 Dezembro 2017 | 20h13

Três mulheres que acusaram o presidente Donald Trump de abusos sexuais durante a campanha eleitoral de 2016 pediram na segunda-feira, 11, que o Congresso abra uma investigação sobre a conduta do republicano. O apelo foi feito na esteira de escândalos que atingiram uma série de homens em posição de poder nos EUA nas últimas semanas, embalados pelo movimento #MeToo (#EuTambém).

No domingo, a embaixadora do país na Organização das Nações Unidas, Nikki Haley, disse em entrevista à rede CBS que as acusadoras do presidente devem ser ouvidas. “Eu acredito que qualquer mulher que tenha se sentido violada ou se sentido maltratada de alguma forma, elas têm todo o direito de se expressar”, declarou Haley, que é uma das poucas mulheres em posições de destaque do governo Trump.

A onda de revelações de casos de abusos e assédio sexuais levaram à renúncia de parlamentares republicanos e democratas e ao afastamento de jornalistas e de atores e executivos de Hollywood. Ontem, as três mulheres que se dizem vítimas de Trump perguntaram por que o homem mais poderoso do país continua imune às acusações.

Durante a campanha eleitoral, 15 mulheres declararam ter sido alvo de agressões sexuais do então candidato republicano à Casa Branca em anos anteriores. As denúncias vieram à tona depois da divulgação de um vídeo de 2005, no qual Trump disse que podia fazer qualquer coisa com mulheres pelo fato de ser famoso, incluindo beijá-las e “agarrá-las” pela vulva sem consentimento.


“Em um cenário objetivo, sem dúvida, uma pessoa com esse histórico teria entrado no cemitério das aspirações políticas, para nunca voltar”, afirmou Rachel Crooks, uma ex-recepcionista que acusou o presidente de tê-la beijado na boca contra sua vontade em 2005. “Ainda assim, aqui estamos nós com esse homem como presidente”.

A seu lado, Jessica Leeds ressaltou que diferentes setores da sociedade americana estão punindo homens em razão de comportamento sexual impróprio. “Nós não estamos responsabilizando nosso presidente”, observou Leeds, que acusou Trump de ter agarrado seus seios e colocado a mão sob sua saia durante um voo no início dos anos 80.

Denúncias de abusos sexuais estão no centro da eleição para uma cadeira do Senado que será decidida na terça-feira, 12, no Estado do Alabama, um dos mais conservadores dos EUA. O republicano Roy Moore tem apoio de Trump, apesar de sete mulheres terem afirmado que foram vítimas de agressões ou assédio sexual do candidato quando eram adolescentes e ele já havia passado dos 30 anos. A mais jovem tinha 14 anos na época.

A Casa Branca sustenta que as denúncias contra Trump não são verdadeiras e que sua vitória teria sido uma rejeição a elas. “O presidente tratou dessas acusações diretamente e negou todas elas. E isso aconteceu muito antes de ele ser eleitor presidente. E as pessoas deste país, em uma eleição decisiva, apoiaram o presidente Trump e nós acreditamos que essas acusações foram respondidas nesse processo”, disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders.

As mulheres que quebraram o silêncio em torno de agressões sexuais e impulsionaram o movimento #MeToo foram eleitas “Personalidade do Ano” pela revista Time na semana passada. A cada mês de dezembro, a publicação elege as pessoas que mais influenciaram o noticiário no ano que termina.

“Essa é a mais rápida mudança social que nós vimos em décadas e ela começou com atos individuais de coragem de centenas de mulheres e de alguns homens, que vieram a público para contar suas próprias histórias de assédio e agressão sexual”, disse o editor-chefe da Time, Edward Felsenthal.