O Oriente é vermelho

O Oriente é vermelho

Cláudia Trevisan

22 Novembro 2009 | 06h42

Mao Tsé-tung morreu há 33 anos e deixou uma herança controvertida até aos olhos dos chineses. A avaliação oficial do Partido Comunista da China é a de que 70% de suas ações foram corretas e 30%, equivocadas. A maior parte dos erros, como a Revolução Cultural e o Grande Salto Adiante, ocorreram na parte final de sua vida, diz o partido. Fora da esfera ofical, o veredicto é bem mais severo e vários especialistas sustentam que Mao foi responsável pela morte de 70 milhões de chineses.

Apesar da controvérsia, sobrevive na China uma nostalgia em relação a Mao e ao período revolucionário, incluindo os turbulentos anos da Revolução Cultural (1996-1976), quando os fanáticos Guardas Vermelhos espalharam o terror no país com a perseguição, tortura e assassinato de milhões de pessoas supostamente associadas à “velha ordem”. Muitas das vítimas eram revolucionários comunistas, que participaram da guerra civil e abraçaram o novo regime fundado em 1949.

A nostalgia se mantém viva por meio de canções, estátuas de Mao espalhadas pelo país e peças teatrais. Em Pequim, há pelo menos cinco restaurantes “temáticos” inspirados na revolução. No mais popular deles, “O Oriente é Vermelho”, são apresentados números musicais representados por atores vestidos de Guardas Vermelhos, camponeses e operários. Nas paredes, estão faixas com slogans da Revolução Cultural, entre os quais “Longa vida ao pensamento de Mao Tsé-tung”. O restaurante é enorme e vive lotado. Os clientes recebem bandeiras vermelhas para acompanhar as performances e a maioria sabe cantar as músicas que são apresentadas.

Durante as celebrações do aniversário de 60 anos da Revolução Comunista, no dia 1º de outubro, várias óperas e ballets revolucionários foram exibidos no país, para uma platéia invariavelmente emocionada. O clássico dos clássicos é “O Destacamento Vermelho das Mulheres”, que conta a história de um grupo de mulheres que lutava contra latifundiários e o exército nacionalista nos anos 30, durante a guerra civil.

Com versões para ópera e ballet, “O Destacamento Vermelho das Mulheres” era um das oito obras “modelo” que tinham permissão da temida mulher de Mao, Jiang Qing, para serem montadas nos dez anos da Revolução Cultural. Eu vi a ópera e o ballet. Ambos são peças de propaganda, que promovem a veneração desmedida aos comunistas e a seu líder, Mao Tsé-tung. O momento em que o heroi masculino morre e se transforma em mártir é acompanhado da Internacional Socialista, o hino global do movimento comunista. A seguir, algumas fotos do ballet e do restaurante “O Oriente é Vermelho”.

A performance no restaurante, realizada à frente de quadro com face de Mao Tsé-tung

O público do restaurante

O slogan “Longa vida ao pensamento de Mao Tsé-tung”

O momento em que a heroína abraça a bandeira comunista _literal e figurativamente

Os soldados armados

Os revolucionários no fim dos espetáculo