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Os números da sorte

claudiatrevisan

03 abril 2008 | 23:12

A numerologia é um dos ramos do mundo esotérico que os chineses mais levam a sério. A crença de que números podem trazer boa ou má sorte influencia decisões que vão da escolha do celular à data do casamento. Desde que Deng Xiaoping declarou que o enriquecer é glorioso, no fim dos anos 70, o 8 passou a ser cada vez mais apreciado e, hoje, está no topo do ranking. O 8 é associado à fortuna e à prosperidade. Antes do processo de reforma e abertura econômicas, o número preferido era o 6, que representa calma e suavidade.
Não por acaso, os Jogos Olímpicos de Pequim serão abertos às 8h08 do dia 8 de agosto (mês 8) de 2008, combinação considerada imbatível até mesmo pelos céticos camaradas do Partido Comunista. O governo de Pequim espera uma avalanche de casamentos neste dia e já anunciou que está se preparando para atender a demanda.
Além do 8 e do 6, outro número extremamente valorizado é o 9, associado à longevidade. O patinho feio é o 4, o equivalente chinês do 13 no Ocidente. O som da palavra “quatro” (si) é parecido com o de “morte”. A semelhança é tal que o dia dos mortos é o 4 de abril. Muitos edifícios não têm o 4º andar e números de celulares terminados em 4 custam bem menos que os terminados com os números “bons”. Um celular que tenha 8 no fim pode custar até três vezes mais que outro que exiba o 4.
A obsessão pelos números também influencia as escolhas na Bolsa de Valores. Os chineses adoram investir diretamente em ações (sem intermediação de corretores) e muitos decidem suas compras com base nos números usados para representar os papéis, e não em razão da análise da situação da empresa que os emitiu.