Pequim aumenta a repressão

Cláudia Trevisan

28 Novembro 2009 | 10h58

A China condenou nesta semana cinco religiosos protestantes a penas de três a sete anos de prisão, em mais um caso que indica o endurecimento das autoridades de Pequim em relação a dissidentes, ativistas de direitos humanos e críticos do governo. O grupo foi preso em setembro, depois de tentar impedir a demolição de um local de oração construído em uma área rural sem a aprovação do governo.
De acordo com o advogado que os defendeu, Li Fanping, os cinco são líderes de uma igreja que reúne 60 mil seguidores na cidade de Linfen, na província de Shanxi, no norte da China.
As autoridades de Pequim controlam de maneira estrita as atividades religiosas e só permitem a existência de igrejas vinculadas a organizações chamadas de “patrióticas”, que são registradas no Departamento de Assuntos Religiosos do país.
Apesar do controle, surgiram nos últimos anos inúmeros grupos independentes, que promovem reuniões nas casas dos fiéis ou em locais construídos longe dos centros urbanos, como no caso do grupo condenado ontem.
O pastor Wang Xiaoguang e sua mulher, Yang Rongli, receberam a pena mais alta, de sete anos de prisão. Os demais foram condenados a períodos de três a quatro anos e meio. Todos foram julgados sob as acusações de “ocupar terras ilegalmente” e “promover reunião de pessoas para perturbar a ordem pública”.
A sentença é uma das mais severas já aplicadas a religiosos que se recusam a praticar sua fé dentro dos limites definidos pelo Estado e foi adotada pouco mais de uma semana depois de o presidente norte-americano, Barack Obama, defender na China o respeito aos direitos individuais, o Estado de Direito e a liberdade religiosa.
Na segunda-feira, uma corte de Sichuan, no centro do país, condenou a três anos de prisão o ativista Huang Qi, que no ano passado se dispôs a ajudar os pais de crianças que morreram soterradas no desabamento de escolas durante o terremoto que atingiu a região no mês de maio. Ele foi julgado sob a acusação de possuir “segredos de Estado”, uma categoria que dá margem a um processo sem nenhuma transparência e que é frequentemente utilizada contra os críticos do Partido Comunista.
No fim de semana passado, a agência de notícias Associated Press revelou o caso de um geólogo de origem chinesa e nacionalidade norte-americana, Xue Feng, que está detido há dois anos na China sob a acusação de ter roubado segredo de Estado para vendê-los a empresa estrangeira.
O assunto foi levantado por Obama no encontro que teve com autoridades chinesas, mas não há sinais de mudança na situação de Xue Feng, que foi torturado na prisão, de acordo com declarações dadas à Associated Press por pessoas envolvidas no caso.
A situação do geólogo é semelhante a de quatro executivos da mineradora australiana Rio Tinto presos na metade do ano também sob acusação de roubo de segredo de Estado, o que levantou questionamentos sobre a segurança de representantes de empresas estrangeiras na China. A acusação contra os funcionários da Rio Tinto foi modificada para corrupção e eles aguardam julgamento na prisão.