Trump terá mentor do ex-FBI James Comey em seu encalço

Cláudia Trevisan

18 Maio 2017 | 13h25

A Casa Branca não foi consultada com antecedência sobre a decisão do Departamento de Justiça de nomear um conselheiro especial para comandar as investigações em torno das ligações entre integrantes da campanha de Donald Trump e a Rússia, apontadas pelo próprio presidente como uma das razões da demissão de James Comey do FBI. Agora, Trump terá em seu encalço o mentor de Comey, Robert Mueller, que tem um histórico de resistência a pressões vindas do Executivo.

O presidente foi comunicado da decisão cerca de meia hora antes de seu anúncio. Sua insatisfação ficou evidente na manhã de hoje: “Essa é a maior caça às bruxas de um político da história da América!”, disse no Twitter. “Com todos os atos ilegais que ocorreram na campanha de Clinton & na administração Obama, nunca houve a nomeação de um conselheiro especial!”

Na noite de ontem, a Casa Branca reagiu de maneira mais contida, com uma nota na qual Trump afirma que a decisão é desnecessária. “Como eu afirmei várias vezes, uma ampla investigação vai confirmar o que nós já sabemos –não houve conspiração entre minha campanha e uma entidade estrangeira”.

Mueller antecedeu Comey na diretoria do FBI e comandou a instituição por 12 anos, durante os governos George W. Bush e Barack Obama. Em 2004, ambos ameaçaram renunciar, caso o presidente republicano mantivesse uma política que permitia o uso de grampos sem autorização judicial. Na época, Comey era subsecretário de Justiça e também se opunha à intenção da Casa Branca. Bush cedeu. Mueller e Comey permaneceram em seus cargos.

O ex-diretor do FBI terá agora carta branca para conduzir a investigação que enfrenta a oposição de Trump . O principal objetivo é determinar se integrantes da campanha do republicano conspiraram com a Rússia para prejudicar a candidatura de Hillary Clinton e favorecer a do bilionário de Nova York.

Sua nomeação foi realizada pelo subsecretário de Justiça, Rod Rosenstein, que a justificou com a necessidade de ter alguém protegido de pressões políticas para dar credibilidade ao resultado das investigações. Seu chefe, Jeff Sessions, se declarou impedido de atuar nas investigações relativas à Rússia depois da revelação de que omitiu encontros com o embaixador do país em Washington durante a campanha eleitoral.

No centro do embrólio está Michael Flynn, um general da reserva simpático a Moscou nomeado por Trump para a chefia do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. Flynn ficou menos de um mês no cargo e caiu depois da revelação de que omitiu encontros com o embaixador da Rússia em Washington ocorridos poucas semanas antes da posse de Trump.

Reportagem divulgada hoje pela agência de notícias Reuters diz que Flynn e outros integrantes da campanha de Trump tiveram pelo menos 18 contatos com membros do governo russo durante a campanha presidencial.

Essas comunicações estão entre os documentos sendo analisados por agentes do FBI a cargo da investigação, iniciada durante a gestão de Comey. O trabalho será agora comandado por Mueller, que se afastou do escritório de advocacia do qual era sócio para desempenhar a função de conselheiro especial.