Republicanos se matam, Obama sorri
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Republicanos se matam, Obama sorri

denisechrispim

22 Março 2012 | 13h41

Caríssimos,

Passadas 34 primárias republicanas, o presidente dos Estados Unidos e candidato a reeleição, Barack Obama, continua sorrindo. Sua vitória em novembro, neste momento, não chega a ser favas contadas. Mas está bem perto disso, alimentada especialmente pela disputa irascível entre seus quatro – na verdade, dois – potenciais adversários republicanos. A cavaleiro, o presidente está em permanente campanha há quase um ano, colhe doações a partir de US$ 5 e tem seus Super PACs  prontos para receber volumes milionários destinados à propaganda eleitoral. Vencê-lo será um desafio monumental ao republicano consagrado na convenção do GOP no final de agosto.

O ex-governador  de Massachusetts Mitt Romney,  milionário mórmon e ex-presidente de uma companhia de private equity, lidera a disputa republicana. Venceu as primárias em 21 Estados e territórios americanos e acumula neste momento 563 delegados para a convenção. O vencedor será o detentor de, pelo menos, 1.141 delegados. É o favorito do establishment republicano. Mas é moderado demais para o gosto dos eleitores atraídos nos últimos anos pelos ideais absurdos do Tea Party e de agremiações similares. Sua guinada para o conservadorismo extremo não parece convincente. Nos comícios, tem a presença de um boneco Ken, o namorado da Barbie.

Rick Santorum não conseguiu reeleger-se senador pelo Estado da Pensilvânia em 2006. Mas quer ser presidente dos EUA. Católico e vinculado a Opus Dei, ele tem paixão extremada pelos conceitos morais mais conservadores e demonstra sua fidelidade a essas ideias em sua história de vida. O episódio da gestação, nascimento e morte de seu sétimo filho, Gabriel, é um ícone do movimento pró-vida. Os evangélicos radicais o adoram. Os republicanos católicos, nem tanto. Santorum traz na ponta da língua, em seus comícios, a rejeição absoluta ao aborto e ao casamento homossexual. São suas bandeiras antigas. A aversão aos gays custou-lhe um sinônimo irreproduzível por este blog para o seu nome entre os leitores do site do ativista Daniel Savage.

Romney e Santorum se matam para ser o rival de Obama em novembro. Newt Gingrich e Ron Paul, sem chances, alimentam ainda mais o clima de agressividade da disputa republicana. Ícones do partido já apelaram pela calma e pelo debate construtivo. Não adiantou. Os dois candidatos criticam duramente o governo de Obama, prometem acabar com sua reforma dos planos de saúde e com a regulação bancária. Mas falam para um eleitorado que não votou nem vai reeleger o presidente. Parecem competir pelo posto de melhor crítico de Obama. O gasto de recursos financeiros e humanos e de energia nessas primárias dá mais uma vantagem a Obama. Quanto mais longo e penoso for o processo de escolha republicana, melhor a chance de reeleição do presidente.

Nesta quinta-feira, Obama visita Cushing, Oklahoma, e Columbus, Ohio. Trata-se de uma rara viagem sem eventos explícitos de campanha. No último dia 16, ele viajou a Chicago, seu berço político e sede de seu QG de campanha, e também para Atlanta somente para fazer comícios a platéias especiais e, obviamente, para arrecadar dólares. Essa agenda não foi uma exceção ao longo dos últimos 11 meses. Cada vez que o Air Force One levanta vôo, o custo mínimo para o contribuinte é de US$ 200 mil. Mas, se esse dado não parece impressionar a maioria dos meios de comunicação americanos.

Obama terá o desafio de convencer o eleitor democrata e o independente a deixar sua rotina em 3 de novembro para ir à seção eleitoral. Se continuarem a melhorar, os indicadores econômicos o ajudarão nessa tarefa. A retirada em setembro de 23 mil soldados do Afeganistão – o mesmo número enviado adicionalmente por Obama no final de 2009 – dará um sinal positivo aos eleitores cansados de guerras. Sua capacidade de convencer Israel a não iniciar um conflito com o Irã antes da eleição terá peso eleitoral, assim como sua habilidade em lidar com a questão síria. Mas, definitivamente, os US$ 163,2 milhões já arrecadados por sua campanha lhe dão uma vantagem expressiva enquanto Romney e Santorum se atracam. Vamos acompanhar.

PS: O propósito do blog é promover uma discussão construtiva, tendo como base as regras consagradas de polidez. Comentários preconceituosos não serão publicados. Da mesma forma, não permitirei a exposição de respostas ofensivas a outros leitores nem a mim. Este espaço não se prestará à propaganda partidária e tampouco estará aberto à veiculação de vídeos. Peço aos comentaristas se aterem ao conteúdo do debate. Obrigada