Análise: O que esperar de Trump e seu gabinete

Análise: O que esperar de Trump e seu gabinete

Especialistas americanos opinam sobre os escolhidos pelo presidente eleito dos Estados Unidos para formar seu governo

Redação Internacional

18 Dezembro 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

– Julian Zelizer
Professor da Universidade Princeton
“Se ele (Trump) durará quatro anos é uma questão em aberto. As preocupações sobre a relação entre seus negócios e a presidência são muito sérias. Mais importante do que isso, ele é alguém que realmente não se importa em respeitar limites que lhe são impostos. Trump não sente as restrições que muitos sentem quando ganham a presidência. Quando há alguém com muito poder que não acredita que pode ser contido, isso pode ser uma receita para um pedido de impeachment ou investigação. Mas os republicanos controlarão Congresso por ao menos mais dois anos e não terão interesse em derrubar o próprio governo.”

O líder da maioria no Senado americano, Mitch McConnell (E), o vice-presidente eleito, Mike Pence, e o futuro chefe de gabinete de Donald Trump, Reince Priebus (D), se dirigem à reunião no Capitólio (Al Drago/The New York Times)

O líder da maioria no Senado americano, Mitch McConnell (E), o vice-presidente eleito, Mike Pence, e o futuro chefe de gabinete de Donald Trump, Reince Priebus (D), se dirigem à reunião no Capitólio (Al Drago/The New York Times)

– Andrew Rudalevige
Professor da Faculdade Bowdoin
“Do ponto de vista de políticas públicas, há 100% de probabilidade de que Trump desapontará seus seguidores. Muitas das coisas que ele prometeu são impossíveis. Ele não vai reabrir fábricas de aço na Pensilvânia, pois isso é inviável do ponto de vista econômico. Acho que terá um longo período de lua de mel com a maioria de seus eleitores. Mas como foi uma eleição apertada, não tem tanto espaço. A proposta de reforma tributária deve avançar no Congresso e haverá corte de impostos que ajudarão os ricos. Isso será visto como uma traição a seus eleitores? Vamos ver. Mas colocar pessoas do Goldman Sachs no governo é uma traição.”

– Robert Spitzer
Professor da Universidade Estadual de Nova York
“Ele será um presidente combativo. Não creio que será um grande promotor de acordos. Ele falou que é grande negociador, mas não acho que será, pois não suporta críticas e guarda ressentimentos. Fechar acordos significa sentar à mesa com pessoas com as quais você discorda e tentar encontrar pontos de concordância. Não creio que esteja inclinado a fazer isso. Por razões ideológicas, as pessoas que ele indicou para o gabinete também não estarão dispostas a negociar. Estarão interessadas em empurrar o que querem do modo mais agressivo possível. Será um governo caracterizado por uma retórica raivosa e sem disposição para ceder.”

– David Cohen
Professor da Universidade de Akron
“O fato de que o gabinete de Trump é cheio de homens brancos não deveria ser surpresa, já que passou a campanha atacando ou hostilizando todos os grupos além dos homens brancos – mulheres, afro-americanos, latinos. A nomeação de Rex Tillerson para o Departamento de Estado é uma indicação de que o governo adotará políticas bastante favoráveis à Rússia. Como CEO da ExxonMobil, construiu laços com a Rússia e possui laços com Vladimir Putin. O potencial conflito de interesses entre Trump e seus negócios não tem precedentes na história dos EUA, mas tem a vantagem de que os republicanos controlarão o Congresso.”