Análise: Últimos indicados para gabinete têm algo em comum

Análise: Últimos indicados para gabinete têm algo em comum

Escolhas aprofundam o papel que ricos doadores terão no futuro governo, apesar da promessa de Trump de acabar com a interferência de 'interesses especiais'

Redação Internacional

01 Dezembro 2016 | 05h00

Matea Gold
Washington Post

As três últimas pessoas escolhidas pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer parte de seu gabinete fizeram grandes doações para a campanha do magnata à Casa Branca. Sua escolha aprofunda o papel que ricos doadores terão no futuro governo, apesar da promessa de Trump de acabar com a interferência de “interesses especiais”.

Steven Mnuchin, escolhido pelo republicano para o Departamento do Tesouro, atuou como seu diretor nacional de finanças, ajudando a organizar dezenas de campanhas de arrecadação de fundos no país inteiro. O ex-executivo do Goldman Sachs e gestor de um fundo hedge também contribuiu pessoalmente com pelo menos US$ 425 mil para a campanha presidencial de Trump, o Comitê Nacional Republicano e seções estaduais, segundo dados da Comissão Eleitoral Federal.

Steven Mnuchin, President-elect Donald Trump's nominee for Treasury Secretary, gets on an elevator after speaking with reporters in the lobby of Trump Tower, Wednesday, Nov. 30, 2016, in New York. (AP Photo/Evan Vucci)

Steven Mnuchin chega à Trump Tower. Foto: Evan Vucci/AP

O investidor bilionário Wilbur Ross, que Trump escolheu para ser seu secretário de Comércio, começou a apoiar financeiramente a campanha do magnata desde o início. Ele abriu sua casa em Southampton, Nova York, para um dos primeiros eventos de arrecadação de fundos que custou US$ 25 mil por pessoa. Ross pessoalmente contribuiu com pelo menos U$ 200 mil para a campanha de Trump, revelam os registros financeiros eleitorais.

Trump escolheu um dos proprietários da equipe de beisebol Chicago Cubs, Todd Ricketts, para atuar como vice-secretário de Comércio. O pai de Todd ajudou a financiar o Future45, um comitê financeiro que gastou muito nas últimas semanas da campanha de Trump. O fundador da TD Ameritrade, Joe Ricketts, deu ao grupo pelo menos U$ 1 milhão em setembro, revelam dados da Comissão Eleitoral. Joe Ricketts e sua mulher, Marlene, também contribuíram com US$ 344 mil para apoiar a campanha de Trump e do Partido Republicano.

O respaldo financeiro dos Ricketts significou uma dramática mudança de posição em relação às primárias, quando Joe e Marlene deram mais de US$ 5,5 milhões ao Nossos Princípios, comitê financeiro que promoveu duros anúncios contra Trump.

Seu apoio financeiro a esse comitê fez com que Trump ameaçasse expor os segredos da família, proprietária do Chicago Cubs, advertindo no Twitter que era “melhor terem cuidado, pois tinham muita coisa a esconder”. Ontem, Trump elogiou Todd Ricketts como “um empresário imensamente bem-sucedido.”

“É incrível o trabalho que ele e a família Ricketts fazem com o Chicago Cubs – um passo perfeito atrás do outro, levando-o ao Campeonato Mundial. É o que eu quero representando nosso povo”, disse o presidente eleito em um comunicado. “Estou muito orgulhoso por tê-lo em nosso time.”

*É JORNALISTA