Gabinete de ricos contradiz linha de campanha de Trump

Gabinete de ricos contradiz linha de campanha de Trump

Reportagem do 'Times’ expõe contradições entre as críticas do ex-candidato e o futuro governo republicano

Redação Internacional

01 Dezembro 2016 | 18h12

NOVA YORK – Tema de algumas das principais críticas de Donald Trump durante sua campanha à presidência, parte da elite de Wall Street agora trabalhará lado a lado com o presidente eleito. Alguns importantes nomes de uma estrutura de tomada de decisões econômicas que o magnata alegava “roubar” a classe trabalhadora passarão a integrar o gabinete no republicano em posições como Departamento do Tesouro e do Comércio.

O banco de investimentos Goldman Sachs, por exemplo, teve por várias vezes sua imagem atacada nas propagandas eleitorais do republicano. Agora, um de seus ex-executivos, Steven Mnuchin, será o principal porta-voz das políticas econômicas do novo governo americano, como lembrou em uma reportagem desta quinta-feira, 1°, o jornal The New York Times.

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Na nova liderança econômica que começa a ganhar cara em Washington, Mnuchin se juntará a Wilbur Ross, um investidor bilionário, escolhido para chefiar o Departamento de Comércio. Ross tornou-se conhecido por adquirir empresas da abalada indústria do aço e do carvão, que ele revendia após recuperá-las. Chegou a ser chamado de “o rei da quebra” por seus investimentos nesses negócios.

Curiosamente, foi para trabalhadores que perderam seus empregos pela extinção ou automação das indústrias desse setor, entre outros, especialmente no chamado “cinturão da ferrugem”, a quem Trump mais dirigiu sua mensagem de críticas ao efeito que a globalização provoca aos “empregos” americanos.

Esses dois investidores, Mnuchin e Ross, ocuparão as duas principais posições econômicas da nova administração. Para o New York Times, esse é um claro e poderoso sinal de que os planos de Trump enfatizarão políticas amigáveis a Wall Street, como redução de impostos e relaxamento de regulação, logo no início da administração.

Em defesa do magnata, o chefe da equipe de transição, Anthony Scaramucci, afirmou que a escolha de investidores ricos não contradiz a mensagem populista do ex-candidato.

“A classe trabalhadora dos EUA precisa de um tempo”, disse Scaramucci, ele mesmo um executivo de fundos hedge. “Precisamos mudar a percepção de ‘classe trabalhadora empobrecida’ para o que eu chamo de classe trabalhadora aspiracional, da qual meu pai fez parte.”

Os democratas não demoraram em atacar as últimas indicações. “Steve Mnuchin é apenas mais um de dentro de Wall Street”, afirma um comunicado conjunto dos senadores Bernie Sanders, ex-candidato à vaga democrata à Casa Branca, e Elizabeth Warren. “Esse não é o tipo de mudança que Donald Trump prometeu trazer para Washington; isso é hipocrisia, do pior tipo.”

Até agora, lembrou o New Yorkt Times, nenhuma das indicações que darão forma às políticas econômicas de Trump, têm qualquer experiência significativa em governar. / NYT e AFP