Governo Obama alerta que recuo na reaproximação com Cuba será ‘prejudicial’ para ambos os países

Governo Obama alerta que recuo na reaproximação com Cuba será ‘prejudicial’ para ambos os países

Assessor de Segurança Nacional do presidente americano afirmou que atualmente ‘há incerteza’ sobre como Donald Trump abordará a política com Havana durante sua gestão

Redação Internacional

14 Dezembro 2016 | 09h58

WASHINGTON – O governo de Barack Obama avisou na terça-feira ao futuro Executivo de Donald Trump que recuar no processo de reaproximação com Cuba dos últimos dois anos seria “incrivelmente prejudicial” para os EUA e para os cubanos, além de “impopular”.

Ben Rhodes, assessor de Segurança Nacional de Obama, constatou hoje que “há incerteza” sobre como Trump abordará a política com Cuba e advertiu sobre as consequências de reverter a atual, em uma conferência telefônica com jornalistas.

Veja abaixo: Obama: EUA estendem mão aos cubanos

Rhodes ressaltou que desfazer os avanços alcançados em viagens, intercâmbios, negócios e remessas “iria dramaticamente contra os desejos dos cubanos e dos americanos”, além de também ir “contra os interesses” dos EUA.

Como exemplo do caminho trilhado, afirmou que as mudanças regulatórias levam muito tempo para serem elaboradas e que todo esse tempo empregado seria perdido se o novo governo retroceder os passos dados. “As mudanças regulatórias, que levaram tempo, deram capital aos empreendedores cubanos. As viagens são a fonte de receita de muitos cubanos. Os americanos mostraram que querem poder viajar a Cuba. Estamos trabalhando em uma vacina potencial do câncer”, detalhou o assessor.

Rhodes falou com cautela sobre as expectativas do governo Obama com relação ao Executivo de Trump e disse “ter esperança” que o magnata compreenda que “esta política é melhor que a anterior de isolamento, que não funcionou”. Nesse sentido, apontou que no governo de Trump há vários empresários e que esse setor se mostrou favorável à abertura com Cuba, inclusive a Câmara de Comércio.

Além disso, defendeu que voltar a fechar as portas com Cuba prejudicaria as relações dos EUA na América Latina, que “melhoraram” graças ao fim da política anterior, que “tinha uma grande rejeição na região”.

Rhodes, que representou os EUA nos atos de homenagem ao líder cubano Fidel Castro, morto no fim de novembro, argumentou também que “este é o pior momento possível” para se fechar à ilha, já que se aproxima um momento de “transição” política com a anunciada retirada do presidente Raúl Castro em 2018.

Embora tenha admitido que ainda “há muito espaço para o progresso”, o assessor de Obama defendeu que nestes dois anos foi possível “um progresso real que melhorou a vida dos cubanos e a conexão entre ambos os povos”.

Trump, que nas eleições primárias republicanas mostrou uma postura mais aberta que seus rivais em relação a Cuba, ameaçou colocar um fim à aproximação diplomática, a não ser que o governo cubano assine com ele “um acordo melhor”.

Segundo explicou então seu porta-voz, Trump exigirá de Cuba “a libertação dos presos políticos, o retorno dos fugitivos da Justiça americana e a liberdade política e religiosa para todos os cubanos que vivem sob opressão”.

Rhodes comentou que “isolar o governo para que se respeite os direitos humanos só serviu (em mais de meio século) para perpetuar essas políticas”.

No dia 17 completará dois anos desde que Obama e Raúl Castro anunciaram o restabelecimento das relações diplomáticas rompidas em 1961. No dia 14 de outubro, Obama emitiu uma diretiva com a qual pretende carimbar sua política de reabertura com Cuba e torná-la “irreversível”, acompanhada de um novo relaxamento do embargo para impulsionar a cooperação médica e ajudar a melhorar a agricultura e as infraestruturas da ilha.

No entanto, Trump pode revogar essas medidas ao chegar à presidência, enquanto a suspensão do embargo segue dependendo de um Congresso controlado pelos republicanos, que se opõem a dar esse passo. / EFE