Hillary afirma que perdeu eleições por ciberataque russo ‘sem precedentes’

Ela também parte da derrota à decisão do diretor do FBI de reavivar a polêmica do manejo indevido de e-mails da candidata quando era secretária de Estado a uma semana da votação

Redação Internacional

16 Dezembro 2016 | 19h48

WASHINGTON – A ex-candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, afirmou que sua derrota nas eleições de 8 de novembro se deveu à confluência de dois eventos “sem precedentes”: um ataque cibernético da Rússia e a reabertura da investigação do FBI sobre suas comunicações digitais.

Candidata democrata às eleições americanas, Hillary Clinton, foi derrotada pelo republicano Donald Trump (Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP)

Candidata democrata às eleições americanas, Hillary Clinton, foi derrotada pelo republicano Donald Trump (Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP)

Segundo uma gravação publicada nesta sexta-feira, 16, pelo jornal The New York Times, Hillary, que perdeu as eleições para o republicano Donald Trump ao não alcançar o mínimo de 270 delegados necessários no Colégio Eleitoral, atribuiu sua derrota, em parte, a “antipatias” do presidente russo, Vladimir Putin, contra ela.

Nas declarações, feitas na quinta-feira em um ato privado de arrecadação de fundos em Nova York, a democrata atribuiu seu fracasso às mudanças entre os eleitores indecisos nos Estados-chave na última hora, devido a “fatores sem precedentes” que ela disse acreditar que não pode “ignorar”.

Hillary disse que a carta do diretor do FBI (polícia federal americana), James Comey, que reavivou a polêmica do manejo indevido de e-mails da candidata quando era secretária de Estado a uma semana da votação foi um dos fatores que modificou o voto dos eleitores em Estados-chave, como os do Meio Oeste, Flórida e Carolina do Norte.

“Acredito que isso fez a diferença no resultado”, afirmou Hillary na gravação, obtida pelo jornal The New York Times.

A ex-candidata democrata lembrou que recebeu mais de 3 milhões de votos a mais que Trump em todo o país, algo que não foi suficiente para inclinar a balança a seu favor nos Estados indecisos com maior número de votos no colégio eleitoral.

O outro fato que inclinou a balança a favor do magnata, segundo a ex-secretária de Estado, foi o “complô sem precedentes dos russos”, algo que, segundo opinou, “deveria preocupar a todos os americanos”.

Hillary comentou que o ataque cibernético não foi só contra sua campanha, mas “contra o país” e pediu uma investigação profunda no Congresso, porque “o público precisa saber o que aconteceu e para prevenir novos ataques”.

A ex-primeira-dama fez eco das informações que indicam que Putin estava ciente e dirigiu pessoalmente “o ataque a nosso sistema eleitoral e a nossa democracia, aparentemente porque tem uma antipatia pessoal contra mim”.

Os Estados Unidos têm fortes indícios de que hackers russos se infiltraram nos e-mails de pessoas da campanha de Hillary e do Partido Democrata com a intenção de expor sua estratégia e supostos conflitos de interesses.

Hillary disse que Putin encorajou o ataque por uma “antipatia” pessoal contra ela desde os tempos em que era secretária de Estado (2009-2013) e antes de que o líder russo retornasse à presidência do país, em 2012.

A ex-secretária de Estado, que se manteve discreta desde sua derrota, comentou que sua relação com Putin piorou desde que emitiu um comunicado condenando a ilegitimidade das eleições parlamentares de 2011, que começaram a consolidar o retorno de Putin ao poder.

Segundo Hillary, Putin a responsabilizou pelos históricos protestos após aquelas eleições contra o presidente, algo que considerou que está por trás da decisão de tentar mudar o resultado eleitoral por meio de ataques cibernéticos.

Esses ataques expuseram os e-mails de seus mais próximos colaboradores durante a campanha e contribuíram para reforçar a imagem de Hillary no controle dos órgãos do Partido Democrata e em contato com elites políticas e econômicas. / EFE