Hillary aposta em mudança de votos no colégio eleitoral

Trump diz não acreditar na CIA, mas líder do Partido Republicano no Senado defende inquérito sobre interferência russa

Redação Internacional

13 Dezembro 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

A campanha de Hillary Clinton apoiou nesta segunda-feira o pedido para que a CIA apresente aos integrantes do colégio eleitoral americano as conclusões da investigação sobre interferência da Rússia na disputa eleitoral com o suposto objetivo de beneficiar Donald Trump. Apesar de o presidente eleito ter colocado em dúvida a avaliação da comunidade de inteligência, líderes de seu partido defenderam que o Senado investigue o assunto.

Os membros do colégio eleitoral se reunirão na próxima segunda-feira para oficializar o resultado da corrida presidencial, que deu a Trump 306 dos 538 votos do colegiado – para vencer, ele precisava de no mínimo 270. Pelo menos um representante do Partido Republicano disse que não votará em Trump, contrariando a regra que o vincula ao resultado da disputa no Estado.

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton (Foto: AFP PHOTO / Jewel SAMAD)

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton (Foto: AFP PHOTO / Jewel SAMAD)

Alguns integrantes do Partido Democrata também defendem que o colégio eleitoral bloqueie a escolha de Trump, sob o argumento de que ele não é qualificado para ocupar a presidência. Em carta ao diretor da CIA, James Clapper, um grupo de dez integrantes do colégio eleitoral pediu que a agência compartilhe com os delegados as informações sobre ações russas.

Em nota, o diretor da campanha de Hillary, John Podesta, disse que a democrata é favorável ao pedido. E-mails de Podesta foram interceptados, entregues ao WikiLeaks e divulgados durante a campanha.

Segundo a imprensa americana, a comunidade de inteligência dos EUA responsabilizou a Rússia pelo ataque, visto como tentativa de beneficiar Trump. Um dos argumentos é a suspeita de que os russos também teriam interceptado comunicações do Partido Republicano, mas decidiram não divulgá-las.

O futuro presidente disse não acreditar na CIA, em um ataque público sem precedentes de um líder do país à agência. “São as mesmas pessoas que disseram que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa”, disse nota de sua equipe de transição.

Nesta segunda-feira, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell discordou de Trump e declarou ter “confiança máxima” na CIA. Integrantes do partido na Câmara e no Senado se uniram aos democratas na defesa de investigação dos ataques, mas foram claros em dizer que a posição não significava um questionamento do resultado da eleição.

A sombra de Moscou pode dificultar a confirmação da provável escolha de Trump para chefiar a diplomacia americana. De acordo com relatos da imprensa americana, o cargo será ocupado pelo CEO da Exxon-Mobil, Rex Tillerson, que tem negócios com a Rússia e recebeu uma comenda do presidente Vladimir Putin em 2013.