Trump nomeia executivo do setor de petróleo como secretário de Estado

Trump nomeia executivo do setor de petróleo como secretário de Estado

Indicação de Rex Tillerson terá de ser aprovada por comitê do Senado no qual republicanos têm estreita maioria; executivo da ExxonMobil recebeu do presidente da Rússia a Ordem da Amizade, principal comenda para estrangeiros

Redação Internacional

13 Dezembro 2016 | 07h36

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Donald Trump ampliou a lista de milionários em seu gabinete com a nomeação, nesta terça-feira, de Rex Tillerson para comandar a política externa dos EUA à frente do Departamento de Estado. Atual CEO da maior empresa petrolífera do mundo, a ExxonMobil, o executivo enfrentará uma dura batalha na confirmação de seu nome pelo Senado em razão de seus laços com a Rússia e o presidente Vladimir Putin.

Tillerson também será questionado sobre potenciais conflitos de interesse entre seus investimentos e decisões que terá de tomar como secretário de Estado. No comando da ExxonMobil, ele se opôs às sanções econômicas impostas pelos EUA à Rússia em 2014, depois da anexação da Crimeia por Moscou. A empresa foi obrigada a suspender planos de explorar petróleo e gás na Sibéria. No Ártico, teve perdas de US$ 1 bilhão.

Rex Tillerson (esq.), principal executivo da companhia americana de petróleo Exxonmobil, deve ser apontado como secretário de Estado da gestão Trump (Foto: REUTERS/Joshua Roberts)

Rex Tillerson (esq.), principal executivo da companhia americana de petróleo Exxonmobil, deve ser apontado como secretário de Estado da gestão Trump (Foto: REUTERS/Joshua Roberts)

Segundo a Bloomberg, Tillerson tem 2,6 milhões de ações da ExxonMobil, que valiam US$ 228 milhões no início do mês. No ano passado, ele recebeu US$ 27,3 milhões em salários, bônus e ações. A petrolífera tem operações em 52 países – entre os quais o Brasil – e valor de mercado de US$ 380 bilhões, comparável ao PIB da Colômbia.

O nome de Tillerson precisa ser aprovado pela maioria dos 19 membros da Comissão de Relações Exteriores do Senado, onde os republicanos têm apenas um voto de vantagem. A escolha do CEO foi criticada por democratas, que tendem a se opor a sua indicação. Se eles votarem em bloco e houver deserção de apenas um dos integrantes do partido de Trump, a escolha será rejeitada.

Um dos dez republicanos que integram a comissão, o senador Marco Rubio disse ontem ter “sérias preocupações” em relação à nomeação do executivo para comandar a diplomacia americana. Segundo ele, o cargo deve ser ocupado por alguém que não tenha potencial conflito de interesses. No sábado, ele afirmou que a “amizade com Vladimir” não era um atributo que gostaria de ver em um secretário de Estado.

Líder dos democratas na comissão, o senador Ben Cardin criticou a escolha. “Estou profundamente preocupado com a eloquente oposição do sr. Tillerson às sanções dos EUA contra a Rússia depois da invasão, ocupação e anexação ilegal da Crimeia, na Ucrânia, e sua relação pessoal próxima com Vladimir Putin”, disse Cardin em nota.

Relações. Engenheiro do Texas, Tillerson entrou na ExxonMobil há 41 anos e é CEO desde 2006. O executivo conheceu Putin no fim dos anos 90, quando era responsável pelas operações da companhia na Rússia. Em 2011, a ExxonMobil fechou contratos com a estatal russa Rosneft para exploração de petróleo e gás no Ártico e na Sibéria, negócio afetado pelas sanções dos EUA em 2014. No ano anterior, Tillerson havia sido agraciado por Putin com a Ordem da Amizade, principal comenda dada pela Rússia a estrangeiros.

As críticas aos laços com Moscou foram amenizadas por declarações de apoio de dois pesos pesados do Partido Republicano: Condoleezza Rice e Robert Gates, que ocuparam respectivamente os cargos de secretários de Estado e de Defesa no governo de George W. Bush.

A Exxon-Mobil é uma das clientes da empresa de consultoria mantida por ambos. A escolha também foi elogiada por James Baker, que foi secretário do Tesouro na gestão de Ronald Reagan e de Estado na de George Bush pai.

“É é uma excelente escolha para secretário de Estado”, disse Rice. “Trará uma experiência internacional extraordinária e ampla, profunda compreensão da economia global e crença no papel especial dos EUA no mundo.” Como CEO de uma das maiores empresas do planeta, Tillerson conduziu negociações com vários países, muitas vezes em situações adversas.