Indicado de Trump para secretário de Estado expressará preocupações com Rússia

Indicado de Trump para secretário de Estado expressará preocupações com Rússia

Rex Tillerson afirmará em audiência de confirmação no Senado, nesta quarta-feira, que falta de liderança dos EUA 'abriram a porta' para o ressurgimento da Rússia; ele também deve sugerir que a China pressione por reformas na Coreia do Norte

Redação Internacional

11 Janeiro 2017 | 12h19

WASHINGTON (Reuters) – O escolhido pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para ser o novo secretário de Estado, Rex Tillerson, expressará preocupações nesta quarta-feira, 11, sobre as ações da Rússia no cenário mundial, e dirá que a China deve ajudar a pressionar por reformas na Coreia do Norte.

No segundo dia de audiências ante senadores democratas e republicanos para avaliar as credenciais do gabinete escolhido por Trump, Tillerson deverá desfazer quaisquer dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse que teria um futuro chefe da diplomacia americana com toda uma carreira formada na indústria petroleira.

Elaine Chao, indicada pelo presidente eleito para a pasta do Transporte e mulher do líder republicano do Senado Mitch McConnell, também tem programada uma audiência nesta quarta. Simultaneamente, a Comissão de Assuntos Judiciais continuará na segunda parte da sessão de confirmação de Jeff Sessions para o cargo de secretário da Justiça.


Tillerson, de 64 anos, trabalhou toda sua vida na ExxonMobil, onde por mais de 40 anos fez negócios na Arábia Saudita, Iêmen, Chade, Iraque e Rússia, por vezes contrários aos interesses dos Estados Unidos.

A equipe de transição de Trump circulou o discurso inicial de Tillerson que será entregue durante sua audiência de confirmação no Senado. Ele explicará por que Trump tem sido a favor de uma relação mais afável com Moscou, dizendo que Washington precisa de um diálogo franco e aberto com a Rússia sobre suas ambições, para que os EUA então possam traçar seu próprio curso.

Mas sua retórica expressando preocupações sobre a Rússia vai além dos frequentes comentários do próprio Trump, de que são necessários melhores laços entre os países, levando em conta o que ele considera como um desgaste do relacionamento sob o governo do presidente Barack Obama.

“Nossos aliados da Otan estão certos em ficarem alarmados com uma Rússia ressurgente”, dirá Tillerson. “Mas foi durante a ausência de liderança americana que esta porta foi deixada aberta, e sinais sem intenção foram enviados.”

Ele citará o fracasso de Obama em agir contra o uso pelo presidente sírio, Bashar Assad, de armas químicas contra seu próprio povo, após dizer em 2012 que fazer algo a respeito cruzaria uma “linha vermelha” como um sinal de fraqueza a Moscou.

Tillerson, como Trump, expressará uma visão dura sobre as movimentações agressivas da China no Mar do Sul da China, tais como a decisão do país de construir ilhas artificiais. “A construção de ilhas pela China no Mar do Sul da China é uma tomada ilegal de áreas disputadas sem consideração pelas normas internacionais”, dirá.

Como Trump assumirá o desafio enfrentado por Obama de conter o programa nuclear da Coreia do Norte, Tillerson considera medidas para colocar mais pressão na China sobre a questão. “Não podemos continuar a aceitar promessas vazias como as feitas pela China para pressionar por reformas na Coreia do Norte”, afirmará.

Ele também dirá que os desafios representados pelo Estado Islâmico, pela China, pela Coreia do Norte e pelo Irã representarão novas realidades globais que devem ser tratadas com uma postura mais assertiva por parte dos EUA.

Homem de negócios. Em um discurso em fevereiro passado, na Universidade do Texas, o empresário disse que ante os vários governos estrangeiros insistia em afirmar que não representava os Estados Unidos: “Não estou aqui para representar os interesses do governo americano. Não estou aqui para defendê-los nem criticá-los. Sou um homem de negócios”, afirmou aos estudantes.

Agora Tillerson deverá convencer os congressistas do contrário. Além disso, sua estreita relação com o presidente russo Vladimir Putin pode resultar problemática, depois que as agências americanas de inteligência concluíram que Moscou organizou uma campanha de ingerência nas eleições de 8 de novembro.

O calendário de audiências acertado pelos republicanos não agradou os democratas, que consideraram o processo rápido demais. Além disso, o Escritório de Ética do governo expressou preocupação porque alguns candidatos têm “potenciais problemas éticos não resolvidos”, e outros sequer entregaram sua declaração de imposto de renda, segundo carta ao chefe dos democratas no Senado, Chuck Schumer.

Os democratas, no entanto, prometem não deixar o Congresso simplesmente passar recibo para as escolhas de Trump sem lutar. Muitos dos indicados de Trump trazem à tona questões de conflitos de interesse, explicou Schumer.

“Muitos deles têm uma origem de enorme riqueza. Muitos têm grandes grande quantidade de ações e muito poucos têm experiência na política. Portanto, eles nunca foram testados em algo semelhante a um posto de gabinete”, disse o democrata de Nova York.

“O que costumava ser uma prática padrão para a grande maioria dos nomeados – a conclusão de uma revisão ética preliminar antes de sua indicação – foi deixado de lado para a grande maioria dos indicados do presidente eleito Trump”, resumiu Schumer. / REUTERS e AFP