Método de escolha usado por Trump para formar gabinete segue estratégia de Reagan

Método de escolha usado por Trump para formar gabinete segue estratégia de Reagan

Objetivo é diminuir o tamanho do governo e desmantelar programas estatais ‘por dentro’, segundo especialista

Redação Internacional

18 Dezembro 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

A agência responsável pelo meio ambiente no governo de Donald Trump será dirigida por um homem que não acredita no aquecimento global e é ligado à indústria de petróleo. O Departamento de Energia está a cargo de Rick Perry, um republicano que propôs a extinção da pasta. A educação será comandada por uma bilionária que defende políticas favoráveis ao ensino privado.

As escolhas aparentemente contraditórias têm uma lógica estratégica que já foi adotada por Ronald Reagan, o presidente visto como um ícone do Partido Republicano: nomear pessoas hostis às políticas vigentes das agências que elas próprias comandarão. “O objetivo é diminuir o tamanho do governo e desmantelar programas estatais por dentro”, disse Julian Zelizer, especialista em história política dos Estados Unidos da Universidade Princeton.

Trump fez escolhas aparentemente contraditórias para seu gabinete, mas estratégia não é nova na política americana; Steve Mnuchin, futuro secretário do Tesouro, por exemplo, é ex-executivo do Goldman Sachs e defende a revogação de parte das regras impostas ao setor financeiro depois da crise de 2008 (AP Photo/Richard Drew)

Trump fez escolhas aparentemente contraditórias para seu gabinete, mas estratégia não é nova na política americana; Steve Mnuchin, futuro secretário do Tesouro, por exemplo, é ex-executivo do Goldman Sachs e defende a revogação de parte das regras impostas ao setor financeiro depois da crise de 2008 (AP Photo/Richard Drew)

“É uma clássica estratégia conservadora. Você coloca no poder pessoas que não implementarão programas, cortarão o orçamento e enfraquecerão as agências sob seu comando.”

Robert Spitzer, cientista político da Universidade Estadual de Nova York, em Cortland, disse que o presidente eleito está recrutando dois grupos de pessoas: representantes da extrema direita americana e integrantes da comunidade empresarial. Outro universo não mencionado por ele é o de generais, que assumirão pelo menos três posições que foram ocupadas por civis durante o governo de Barack Obama.

“Em geral, são pessoas mais conservadoras do que as nomeadas por George W. Bush, que já eram bastante conservadoras”, observou. A principal missão do gabinete de Trump é diminuir o tamanho do Estado e acabar com regulações vistas como restritivas da atividade econômica – da saúde à exploração de petróleo e gás.

Ex-executivo do Goldman Sachs, o futuro secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, é favorável à revogação de parte das regras impostas ao setor financeiro depois da crise de 2008, provocada pela expansão desenfreada de empréstimos imobiliários nos anos anteriores.

Em entrevista à rede CNBC logo depois de sua nomeação, ele disse que sua prioridade na área regulatória será anular normas que dificultam a concessão de empréstimos pelos bancos.

Apesar da ambição do novo gabinete, Zelizer disse que não será fácil implementar algumas propostas, especialmente as que afetam benefícios sociais. “Haverá reação. Esses programas têm mais apoio do que o presidente eleito supõe.”