Se Trump não respeitar política de ‘uma só China’, haverá instabilidade nas relações entre países, alerta Pequim

Se Trump não respeitar política de ‘uma só China’, haverá instabilidade nas relações entre países, alerta Pequim

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que ‘está seriamente preocupado’ com as declarações do presidente eleito dos EUA, e destacou que Taiwan é ‘interesse central’ para China

Redação Internacional

12 Dezembro 2016 | 09h36

PEQUIM – O governo chinês advertiu nesta segunda-feira, 12, ao presidente eleito dos EUA, Donald Trump, que se não respeitar a política de “uma só China”, não haverá estabilidade nas relações entre ambas as potências.

Se for mantido esse princípio – pelo qual Pequim insiste que seja reconhecido como o único governo da China enquanto Taiwan é uma província rebelde -, “o desenvolvimento estável das relações entre China e EUA estão fora de discussão”, afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, chinês, Geng Shuang.

Ele afirmou que Pequim “está seriamente preocupado” com as declarações de Trump. “Quero enfatizar que a questão de Taiwan é realmente um interesse central para a China”.

Em entrevista divulgada no domingo pela emissora Fox News, Trump colocou em dúvida que seja necessário seguir com a política de “uma só China”, o que tem sido a base das relações bilaterais entre China e EUA desde 1972, sete anos antes do restabelecimento total de seus laços diplomáticos.

“A adesão ao princípio de ‘uma só China’ representa os alicerces políticos para o desenvolvimento das relações entre China e EUA”, lembrou Geng. “Se (o princípio de ‘uma só China’) for comprometido ou interrompido, o crescimento estável das relações entre China e EUA, assim como a cooperação nas áreas mais importantes, está fora de discussão.”

O porta-voz ressaltou que fez um pedido “à nova administração americana para que admitam a sensibilidade da questão de Taiwan e adiram à política de ‘uma só China’, assim como aos princípios estabelecidos pelos três comunicados conjuntos entre China e EUA”.

“Pedimos que os EUA administrem este assunto de maneira adequada e prudente para que não interrompa ou cause danos aos interesses gerais das relações bilaterais.” Para Geng, o tema “não afeta só os interesses fundamentais das relações entre China e EUA, mas também a paz, a estabilidade e a prosperidade da Ásia-Pacífico e do resto do mundo”. / EFE