Tensão racial domina corrida à Casa Branca

Tensão racial domina corrida à Casa Branca

Enquanto Trump tenta se aproximar de minorias negras e latinas, aumentam os protestos de repúdio à violência policial contra negros

Redação Internacional

04 Setembro 2016 | 05h00

Vinicius Neder
SAINT-PAUL, EUA

Mobilizações populares contra o andamento das investigações sobre o assassinato de um homem negro pela polícia na região metropolitana de Minneapolis, norte dos Estados Unidos, e a tentativa do candidato do Partido Republicano, Donald Trump, de combinar propostas controvertidas sobre imigração com aproximações de minorias étnicas confirmam que a tensão racial virou tema central na pauta das eleições.


A tentativa de aproximação por parte de Trump incluiu um encontro privado com eleitores afro-americanos em Filadélfia na sexta-feira. Ontem, o republicano foi a Detroit encontrar-se com o bispo Wayne T. Jackson, da igreja evangélica afro-americana Fé Grandiosa. Aos fiéis, Trump prometeu que sua presidência trará mais “união, coesão, paz e prosperidade”, assim como “uma agenda de direitos civis para o nosso tempo”.

Candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump

Candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump (Foto: REUTERS/Carlo Allegri)

Enquanto a corrida presidencial avança, a reação popular após o Departamento de Polícia de Saint Anthony, na região metropolitana de Minneapolis, colocar o policial Jeronimo Yanez em trabalhos administrativos após um mês de afastamento mostra que a escalada de violência vista em julho ainda deixa suas marcas. Yanez havia ficado de licença após matar Philando Castile, aos 32 anos.

Após protestos, Yanez foi colocado de licença novamente. O caso de Minneapolis teve repercussão mundial porque parte da ação que matou Castile foi transmitida ao vivo pelo Facebook pela noiva da vítima, Diamond Reynolds. O homem foi baleado ao volante de seu carro. A imagem mostra Castile agonizando, com Diamond no banco do carona, enquanto o policial Yanez aparece apontando sua arma. A filha de Diamond, de 4 anos, estava no banco de trás.

Dias depois, cerca de 30 pessoas se juntaram num protesto em frente à prefeitura. O ativista Curtis Avent, de 32 anos, criticou o fato de o chefe de polícia local, Jon Mangseth, ter dito que ofereceu serviços de aconselhamento psicológico a Yanez, mas não podia dizer se o policial recorreu a eles ou não.

Com a corrida presidencial a pleno vapor, na noite após a manifestação registrada pelo Estado, Trump participou de uma reunião com doadores de campanha em Minneapolis. Embora tenha dito à reportagem que seguiria do protesto para outra manifestação à noite, dessa vez contra o candidato republicano, Avent demonstrou pouca esperança de que o debate resulte em mudanças efetivas.

Para a advogada Nekima Levy-Pounds, presidente da filial de Minnesota da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas Negras (NAACP), Trump e a candidata democrata Hillary Clinton têm procurado equilibrar suas respostas sobre o tema da violência policial. “Hillary tende a aparecer mais simpática do que Trump, dado o grande apoio que ela recebe da população afro-americana. No entanto, as respostas dos dois candidatos tendem a ficar aquém do necessário”, disse.

A socióloga Tanya Gladney, professora da Universidade de Saint Thomas, em Minnesota, lembrou que as discussões sobre violência policial ocorrem no nível dos Estados. A maioria dos departamentos de polícia é controlada pelas prefeituras, mas as leis são estaduais.