Trump, de azarão a figura do ano

Trump, de azarão a figura do ano

Revista 'Time' diz que título não é honraria, mas o vaidoso presidente eleito comemorou como tal

Redação Internacional

08 Dezembro 2016 | 05h00

Vaidoso e obcecado pela própria imagem, como descreveu recentemente um de seus biógrafos, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, obteve sua recompensa máxima ao ser eleito Personalidade do Ano pela revista Time.

Segundo a publicação, para o bem ou para o mal, Trump foi o personagem que mais influenciou os fatos em 2016. “Por culpa de Donald John Trump, independentemente do que vier a acontecer, nada será como antes”, concluiu a revista.

MCX100 NUEVA YORK (ESTADOS UNIDOS), 07/12/2016.- Fotografía facilitada por la revista Time que muestra al presidente electo de Estados Unidos, Donald Trump, en la portada de su número 19 del mes diciembre en Nueva York, Estados Unidos, hoy 7 de diciembre de 2016. El presidente electo de EEUU, Donald Trump, se convirtió hoy en la persona del año elegida por la revista Time, entre una lista de figuras o el grupo de individuos que resaltan en las noticias a lo largo del año. EFE/- SÓLO USO EDITORIAL/PROHIBIDA SU VENTA

Capa da revista ‘Time’ traz Trump como a Personalidade do Ano. Foto: Time

Segundo a Time, a tradicional escolha não é uma honraria, mas Trump a celebrou como tal. “É uma honra tremenda”, afirmou o magnata em entrevista ao programa Today, da emissora NBC.

O presidente eleito não gostou muito do título da reportagem que explicou a escolha – Presidente dos Estados Divididos da América. Mesmo assim, correu logo cedo, às 7h18, para seu canal de comunicação favorito, o Twitter, para anunciar que estaria ao vivo na NBC para comentar a escolha.

“A Time é uma revista muito importante. Tive muita sorte por estar em suas capas várias vezes neste e no ano passado”, disse Trump a Matt Lauer, apresentador do Today. Ele se referia às várias publicações da Time sobre o então candidato presidencial do Partido Republicano.

As abordagens, nem sempre, foram positivas. Em agosto, por exemplo, a revista falou sobre como sua campanha estava se esfacelando.

Duelo. No ano passado, Trump criticou a escolha da chanceler alemã, Angela Merkel, como Personalidade do Ano. “Eles (Time) elegeram a pessoa que está arruinando a Alemanha”, reclamou o magnata na época. Em 2013, o bilionário disse que a lista das pessoas mais influentes da revista era uma “piada” e a publicação em breve “quebraria”.

Mas a vaidade do presidente eleito falou mais alto e ele recebeu a equipe de jornalistas da revista, chefiado pela editora-chefe, Nancy Gibbs, na luxuosa cobertura de três andares onde vive, na Trump Tower, em Manhattan, Nova York.

O texto assinado pelo jornalista Michael Scherer descreve como a trajetória do magnata nos últimos dois anos o transformou na voz da classe trabalhadora dos Estados Unidos.

“O que espanta muitas pessoas é que estou sentando em um apartamento que elas jamais viram igual e ainda assim represento os trabalhadores do mundo”, afirmou Trump ao jornalista, como relata a reportagem.

“O falecido Fidel Castro provavelmente cuspiria seu charuto se ouvisse aquele homem – um bilionário marcado pelos excessos – reivindicando os slogans do proletariado. Mas Trump não está nem aí,” escreve o jornalista no texto.

Fenômeno. Ao analisar os acontecimentos dos últimos anos nos Estados Unidos que possibilitaram a chegada de Trump ao poder, a reportagem avalia que, ao tentar condenar o “lado sombrio” da política do país, a campanha da candidata democrata Hillary Clinton acabou por, acidentalmente, validá-lo.

“Ao acreditar no mito de que a eleição de Barack Obama representou uma mudança permanente na nação, ela (campanha) provou que isso era efêmero. No fim, Trump se revelou nessas denúncias, que acabaram ajudando a projetar para seus militantes sua determinação em esmagar a elite existente”, escreve a revista.

“Esse é um país onde muitos dos que se sentem desamparados, sem poder, têm um novo campeão, onde a frustração deu lugar à empolgação e onde a política acabou se tornando o maior show da Terra”, escreveu a Time. / COM THE NEW YORK TIMES