Investigação em Nova York impede fim de fundação Trump

Processo em Nova York barra planos do empresário de encerrar atividades da entidade

Redação Internacional

27 Dezembro 2016 | 15h03

WASHINGTON – O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, não pode levar adiante seu plano de desmantelar uma fundação de caridade uma vez que ela está sob investigação. Promotores estaduais apuram se o magnata se beneficiou pessoalmente de gastos da entidade, explicou nesta terça-feira, 27, o escritório da promotoria de Nova York.

“A fundação de Donald Trump ainda está sob investigação por este escritório e não pode legalmente ser dissolvida até que o processo seja concluído”, afirmou Amy Spitalnick, porta-voz do promotor-geral, Eric Schneiderman.

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ignorou a maioria dos briefings com informações secretas (AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP

O comunicado foi divulgado após Trump anunciar que desejava dissolver a Donald J. Trump Foundation, parte do que sua equipe de transição presidencial diz ser um esforço para acabar com qualquer conflito de interesse antes da posse dele, em 20 de janeiro.

Schneiderman tem investigado há meses a fundação. A entidade já admitiu que violou em anos anteriores regulações que impedem que ela use dinheiro ou ativos para beneficiar Trump, sua família, as empresas dele ou doadores da fundação.

O promotor-geral, que é democrata, lançou a investigação após reportagem do Washington Post chamar a atenção para algumas das compras da entidade.

No fim da segunda-feira, Trump afirmou pelo Twitter que a fundação é gerida de maneira eficiente. Segundo ele, “diferentemente de muitas fundações”, a sua nunca pagou taxas, aluguéis, salários ou outros gastos irregulares. “Cem por cento do dinheiro vai para entidades de caridade maravilhosas”, afirmou o presidente eleito, que também criticou a cobertura da imprensa sobre o caso.

“Dei milhões de dólares à Fundação DJT, arrecadei ou recebi mais milhões do que tudo que se destinou à caridade e os veículos de imprensa não informam”, afirmou Trump também pelo Twitter, a rede social que usa habitualmente para publicar suas mensagens.

O empresário e presidente eleito argumentou que quer evitar “a aparição de qualquer conflito” com seu “papel como presidente”, acrescentando que buscará outras formas de filantropia.

Gabinete. Ainda hoje, Trump anunciou que o ex-vice-conselheiro de segurança nacional do presidente George W. Bush Thomas Bossert será seu conselheiro na Casa Branca para questões de segurança e contraterrorismo, de acordo com um comunicado.

Como assistente do presidente para segurança interna e contraterrorismo, Bossert será o principal nome ligado ao combate ao terrorismo do presidente eleito. Atualmente, Bossert comanda uma empresa de consultoria e integra a equipe de risco cibernético na organização Atlantic Council.

Além de Bossert, a equipe de transição anunciou ontem que o principal conselheiro de Trump sobre as relações entre Israel e EUA, o advogado Jason Greenblatt, será o representante especial para as negociações internacionais em seu governo. Há duas décadas, Greenblatt trabalha para a Organização Trump, onde atua como vice-presidente executivo. / AP, REUTERS e EFE