Meryl Streep preside o júri da Berlinale: um banquete midiático e um olhar feminino

Fátima Lacerda

15 Outubro 2015 | 18h09

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O roteiro é sempre o mesmo: na coletiva de imprensa, tradicionalmente, 10 dias antes do início do Festival, a secura da imprensa alemã é sempre a mesma e a pergunta mais importante é: “Quem vem?” Dependendo da resposta, lida numa fichinha de papel por Dieter Kosslick, chefe e garoto-propaganda da Marca Berlinale, o resultado na imprensa é positivo ou as críticas são ferrenhas e já colocam, prontamente, em questão se a Berlinale é o que poderia/deveria ser. A referência, em termos de Glamour, é sempre Cannes.

Quando o Presidente do Júri não é bem conhecido do grande público, especialmente de leitores do tabloide Bild (e isso vale tanto para o britânico Mike Leigh (2011) e nem para os americanos James Schamus (2014) e Darren Aronofsky (2015), a expectativa, digo, a ânsia por Glamour, se projeta na lista das estrelas que estarão desfilando pelo tapete vermelho em frente ao Berlinale Palast, cinema principal do evento e que não poderia estar localizado em melhor lugar: na Praça Marlene Dietrich.

Edição 2016

Na próxima coletiva, a Força Tarefa para Dieter e sua meticulosa equipe, será conseguir um UP na lista dos famosos que irão marcar presença na capital. É difícil superar o grau de popularidade de uma Meryl Streep, uma mulher já premiada 3 vezes com o troféu mais cobiçado e mais prestigioso do Cinema. 29 vezes nomeada pelo Golden Globe, ela tem ao todo 9 na prateleira de sua casa.

Na Berlinale, Meryl Streep já marcou presença quatro vezes. A última passagem por Berlim foi em 2012 quando recebeu o Golden Bear, prêmio dado pela contribuição à sétima arte. Na época, estava nomeada para o Oscar pelo seu papel em “A Dama de Ferro”.

Suspense

Depois da divulgação de Meryl Streep como Presidenta do Júri, rege suspense sobre a lista dos “restantes” membros. A Berlinale só acontece em Fevereiro (11-21), mas o tapete vermelho e o glamour estão garantidos desde agora.

Um golaço midiático dessa categoria pode até ter um pequeno percentual de acaso, ou como se diz popularmente nas terras daqui: “Uma corrente de acontecimentos positivos”. Porém, o mais factível nesse golaço é que Dieter Kosslick, por um lado, cada vez mais poderoso no âmbito político-cultural da Alemanha, sofre cada vez mais pressão em mostrar serviço para, na percepção midiática, minimizar a discrepância entre Berlim e Cannes, no quesito de famosos desfilando no tapete vermelho. Uma das maiores derrotas para Cannes (e Kosslick até hoje não esqueceu), foi com o filme “Diários de Motocicleta”, dirigido por Walter Salles. O filme já estava firmado para ser exibido em Berlim e na última hora Cannes passou a perna na Berlinale e levou o filme para estrear na Cosa Azul.

Berlinale das mulheres

Lembramos do filme “Gloria”, filme chileno ganhador do Urso de Ouro em 2013. Em 2014 foram as mulheres, nas mais diferentes situações de vida, o foco programático que passava por todas as seções, nas mais diferentes nuances e intensidades.

Na última cerimônia do Oscar, Patricia Arquette, que levou o Oscar como protagonista de “Boyhood”, filme que também ganhou premios em Berlim, fez a revindicação para que mulheres tivessem os mesmos direitos dos homens e igualdade no salário. Nesta semana, a atriz Jennifer Lawrence declarou deixar que se fazer de “queridinha” quando exige um salário abaixo do que merece. Meryl Streep vibrou com o discurso de Arquette e isso irá gerá-la ainda mais pontos de ainda mais simpatia em Berlim.

Na cerimônia de Gala de abertura da Berlinale 2015, a comediante e apresentadora Anke Engelke, que sempre faz a dobradinha de Anfitriã com Kosslick, cobrou de Dieter Kosslick, na frente da Ministra da Cultura e de políticos de vários partidos, uma presença maior de mulheres em posições importantes do festival. Dieter fez o trabalho de casa. A atriz “colecionadora” de Oscars vai brilhar em Berlim: com seu estrondoso talento, charme, simplicidade e sim, com um olhar feminino sobre os filmes a serem apresentados na 66a edição do festival de cinema mais político da Europa.