A noite em que Berlim se tornou Global

Fátima Lacerda

11 Março 2015 | 10h36

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Lisboa e o melhor lugar do mundo para estar” ja sacramentou o autor Aguinaldo Silva através de uma das personagens de um novelãããão que divide o país em comunidades #Alfredisis e #AlfredMM. Entretanto, pode-se constatar um carinho especial pela capital alemã, essa que ja foi mencionada por Marta (Lilia Cabral) numa das conturbadas cenas de café da manhã da “Família Imperial”.

Nesta cena foi mencionada a Bebelplatz, a Pça que leva o nome o fundador da Socialdemocracia alemã, August Bebel, político e publicista e a âncora sempre usada quando os socialdemocratas da atualidade são criticados, mais que isso, punidos pelos eleitores que os acusam de terem se distanciado dos ideais que esculpiram sua identidade em 151 anos de Socialdemocracia. Nesses dias, o Vice-Chanceler e Ministro da Economia, Sigmar Gabriel, em visita oficial ao Qatar, se tornou alvo das maiores xacotas nas redes sociais, além de ser acusado de fazer vista grossa sobre as miseráveis condições de trabalho dos operários trabalhando na construção dos estádios para a Copa do Mundo de Futebol em 2022. O universo televisivo midiático alemão desses dias,  questiona: Vendemos a nossa moral para o Qatar e para outros países árabes? O dinheiro pode comprar a nossa moral?

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Foi num dos asfaltos mais importantes da urbanidade berlinense, Bebelplatz, que os nazistas, em ritual macabro, queimaram mais de 20.000 obras da literatura alemã e da literatura mundial. Hoje, nesse local que fica na parte histórica de Mitte (Centro), na alameda Unter den Linden, vizinho da Opera Alemã, (Deutsche Oper), entre o prestigioso Hotel de Rome, o prédio da Faculdade de Direito e a porta principal da Universidade Humboldt (essa do outro lado da Alameda), uma instalação subterranea concebida pelo artista israelense Micha Ullman, relembra o ato de barbárie contra a cultura mundial naquele cinzento 10 de maio de 1933.

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Berlim é lugar de balada!

No capítulo de ontem (10) da novela global e líder de audiência, Clara (Andréia Horta) liga para Beatriz (Suzi Rêgo). Perguntada pelo destino escolhido, Clara responde do outro lado da linha e Beatriz, sorridente, não delonga em bater para patota : Berlim (!!!) e acrescenta que lá (digo, aqui) o solo seria propício para quem quer curtir a vida noturna. Prontamente, Claudio Bolgari (José Mayer), já saído e/ou tirado do armário por Téo Pereira (Paulo Betti), lança na roda a idéia de irem todos juntos para Berlim, como se Berlim fosse tão perto quanto o centro da cidade carioca da COBAL que fica no Humaitá, RJ.

“Ela encontrou um vôo direto pra Berlim”, diz Beatriz. Na vida real entretanto, os caminhos que levam a Berlim não são livres de baldiações e, na melhor das hipóteses uma parada na metrópole Frankfurt para seguir viagem para a capital.

Ao contrário de outras capitais européias com Roma, Paris, Lisboa, Berlim não tem vôo direto para o Brasil. Isso se deve, especialmente, à obra de  igreja que e tornou a construção do Aeroporto Internacional Willy Brandt, o BER, que depois de ter varias datas adiadas, era para ter sido inaugurado em junho de 2012, já fez rolar a cabeça de muitos políticos e executivos, continua depenando os cofres públicos, premiando a imprensa com histórias cabeludas como, por exemplo, a história de um islamista ligado à cena radical de Berlin que foi “descoberto#2 trabalhando no setor de segurança da obra do aeroporto. Controlava entrada e saída.

Recentemente estourou mais um caso de corrupção . Ninguém sabe se o BER um dia será inaugurado. Ninguém se atreve a divulgar uma data de inauguração. Porém, o que já esta valendo, e nisso os especialistas estão de acordo: a capacidade daquilo que já se tornou um elefante branco, já está aquém do volume de passageiros que Berlim precisaria despachar diariamente.

Isso sim, é coisa de novela!!!!!