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A história de Bashar al Assad e Michael Corleone

gustavochacra

22 Março 2012 | 11h49

no twitter @gugachacra

No último ano, eu e quase todas as pessoas que acompanhamos a Síria de perto tentamos entender o perfil psicológico de Bashar al Assad. Até mesmo um debate foi organizado em Washington para discutir o assunto. Afinal, como um oftalmologista, com residência médica em Londres, sofisticado, pinta de nerd, uma mulher que trabalhou no J.P. Morgan e bem relacionado com autoridades internacionais pode ser ao mesmo tempo o mais violento líder árabe em atividade, sendo equiparado a figuras macabras como Saddam Hussein e Muamar Kadafi?

E, depois de muito pensar e assistindo mais uma vez a Godfather (Poderoso Chefão), cheguei à conclusão de que Bashar é como Michael Corleone. Nunca foi preparado para liderar o regime sírio no lugar de seu pai, Hafez al Assad, assim como o filho caçula de Vito Corleone tampouco era o homem escolhido para ser o chefe da Máfia. Na verdade, os planos eram outros para aquele herói de guerra e para o médico sírio de Londres.

O problema é que Sonny Corleone, o filho mais velho, foi morto em uma emboscada. O primogênito de Hafez, Bassil, também morreu ainda jovem em um suspeito acidente de carro. No fim, o bonzinho e moderado “Michael” assumiu a família Corleone, com capôs como o Clemenza. Exatamente como aconteceu com Bashar. E, no filme Godfather, vimos como aquele herói de guerra se transformou em uma versão mais elegante, porém não menos sanguinária do que o pai. O mesmo ocorre agora na Síria.

As mulheres, por outro lado, podem ter uma origem comum. Kay Adams Corleone também tinha bom gosto e sofisticação como Asma al Assad. Mas, uma hora, ela não agüentou as matanças do marido. Asma, por sua vez, parece não se importar, decepcionando muitos que esperavam uma atitude mais forte da parte dela.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios