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Assad janta com Angelina Jolie e pode negociar com Israel, sem romper com Irã

gustavochacra

12 Novembro 2009 | 14h36

Sempre me surpreendo com Bashar al Assad. Já escrevi algumas vezes aqui sobre o renascimento do líder sírio. Cada vez mais, ele alcança seus objetivos e se fortalece na região. No Líbano, conseguiu voltar a exercer influência na política dos cedros, com seus aliados no governo de união nacional de Saad Hariri – teoricamente o seu maior inimigo. O rei Abdullah, da Arábia Saudita, até outro dia um rival de Damasco, disse que “precisamos entender a importância do Líbano para a Síria. Fica no quintal deles”. Na Guerra Fria do Oriente Médio, Assad tem o aval de Ryad e de Teerã para agir como quiser.

Agora, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, está disposto a negociar com Assad a devolução das colinas do Golan. Americanos, franceses e turcos disputam o posto de mediador do conflito. Inicialmente, Damasco preferia a Turquia, mas agora a França ganhou força. Se der resultado, os sírios terão de volta o território ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Com um pouco mais de esforço, poderiam abrir a estrada Jerusalém-Damasco, que, em um cenário de paz, seria uma das mais procuradas por turistas de todo o planeta.

O mais impressionante é Assad voltar a dar as cartas no Oriente Médio sem romper com Irã, Hezbollah e Hamas e muito menos abrandando o regime autoritário que impera no país, onde a oposição é duramente reprimida. Hoje, a Síria se tornou a única nação da região a manter canais abertos de diálogo todos os governos. Apesar da deterioração nas relações, até o Iraque sabe da importância síria, que recebeu cerca de dois milhões de refugiados, concedendo a todos educação e saúde, sem ajuda financeira de organismos internacionais.

Para completar, Assad ainda recebe a Angelina Jolie e Brad Pitt para jantar em Damasco. Quer mais? A atriz americana elogia os sírios e diz que adotará uma criança síria. De verdade, Hosni Mubarak, rei Abdullah (qualquer um dos dois), Ahmadinejad e Abbas deveriam fazer um curso de relações públicas com Assad. De um homem que seria o próximo da lista de Bush depois de Saddam Hussein, acusado de ordenar carros-bomba no em Beirute (não há provas), se tornou o novo mascote do Oriente Médio.

Obs. O post do Afeganistão está aberto. Mais tarde, vou publicar um texto sobre o crescimento da importância do Brasil no Oriente Médio