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Como combater o terrorismo do ISIS (Grupo Estado Islâmico ou Daesh)?

gustavochacra

21 Dezembro 2016 | 12h26

O ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, utiliza uma estratégia de terrorismo mais simples no modus operandi quando ataca a Europa e os EUA, embora muito mais difícil de ser impedida do que a utilizada pela Al Qaeda na década passada.

Basicamente, o ISIS, fora do Iraque e da Síria, não elabora mega operações com bombas que precisam passar por fortes esquemas de segurança e necessitam às vezes meses para serem levadas adiante. Desta forma, evita que os atentados sejam desmantelados pelos serviços de inteligência dos países alvos – os EUA conseguiram, por exemplo, impedir uma série de ataques terroristas da Al Qaeda depois de 11 Setembro.

Em vez disso, o ISIS incentiva pessoas que compartilhem de sua ideologia a usar formas mais simples de ataque. Inclusive, em suas publicações na internet, a rede terrorista fala abertamente para seus seguidores a usarem caminhões para atropelar pessoas em grandes aglomerações. Isso explica os atentados de Nice e Berlim.

Estes seguidores não precisam necessariamente terem sido treinados pelo grupo, diferentemente do que ocorria com a Al Qaeda. E o atentado não precisa ser tão planejado – pode ser, inclusive, organizado em um momento de oportunidade, em minutos, literalmente. Não é, portanto, simples para os serviços de segurança impedirem.

Israel, que talvez seja a nação mais preparada para lidar com o terrorismo, conseguiu ao longo dos anos praticamente eliminar os ataques bem planejados de homens-bomba, tão comuns na Segunda Intifada. Mas os israelenses enfrentam enormes dificuldades para impedir os ataques de oportunidade, como os vários esfaqueamentos e atropelamentos terroristas recentes.

Como impedir? Esta questão tenta ser respondida por autoridades de segurança e inteligência de todo o planeta. Simplesmente, não há resposta simples como pregam políticos populistas. É como o combate ao tráfico de drogas. Em décadas, não conseguiram resolver. Há um risco sim de o mesmo ocorrer com o terrorismo. Trata-se de um combate assimétrico.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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