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Como o globalista Macron trucidou a populista Le Pen na eleição da França?

gustavochacra

07 Maio 2017 | 19h59

O globalista, multiculturalista, politicamente correto e pró mercado Emmanuel Macron, de apenas 39 anos, se elegeu presidente da França ao trucidar por quase 30 pontos percentuais a populista, protecionista, nacionalista e xenófoba Marine Le Pen nas eleições francesas.
 
Não há como classificar de outra forma o massacre eleitoral. Um novato, que criou seu partido há um ano, conseguiu uma gigantesca vitória e entra para o Panteão dos presidentes franceses ao lado de De Gaulle, Pompideou e Mitterrand. Sim, contou com a sorte. Afinal, na centro-direita republicana, seu rival se envolveu em um mega escândalo de corrupção e viu seu favoritismo naufragar. Na centro-esquerda socialista, seu rival era uma figura fraca e da ala mais à esquerda do partido.

Ainda assim, Macron tem mérito ao descobrir o “centro”. Defende políticas pró mercado e reformas liberais na economia, é um entusiasta da União Europeia, defende o meio-ambiente e propõe políticas maduras em temas como imigração e terrorismo. Sua campanha também soube adotar um discurso positivo, similar ao de Obama em 2008, que havia sido deixado de lado nos EUA tanto por Trump como por Hillary na última campanha.

Le Pen, por sua vez, pode argumentar que teve um desempenho bem melhor do que seu pai no segundo turno em 2002. Mas, convenhamos, a candidata da Frente Nacional esperava vencer esta eleição. Dificilmente o cenário será tão favorável a ela no futuro, depois da série de atentados terroristas, da questão dos refugiados na Europa (embora não na França), do BREXIT e mesmo da vitória de Trump. Se tivesse perdido por 10, 15 pontos percentuais, até dava para dizer que era um avanço mesmo derrotada. O massacre, no entanto, foi de 30 pontos.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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