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Como resolver a equação do apoio aos curdos na Síria?

gustavochacra

16 Maio 2017 | 11h28

Erdogan, presidente da Turquia, persegue opositores, censura a imprensa e basicamente está destruindo instituições democráticas turcas. Também faz declarações antissemitas e apoia grupos rebeldes extremistas na Síria. Ao mesmo tempo, Erdogan lidera uma nação integrante da OTAN, que fornece uma base aérea para os EUA lançarem operações militares pelo Oriente Médio e participa da coalizão para lutar contra o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh.

Mais importante, Erdogan tem razão nas suas reclamações sobre o anúncio americano de que as forças dos EUA irão armar milícias curdas na Síria como o YPG. Como escrevi aqui, o YPG é o braço sírio do PKK, uma organização terrorista curda responsável por dezenas de atentados na Turquia.

Alguns poderiam argumentar que o PKK luta pela independência do Curdistão turco. Ok, mas isso não justifica o terrorismo, assim como a defesa da criação da Palestina não justifica o terrorismo do Hamas. Outros podem argumentar que os curdos do YPG lutam contra o ISIS e, portanto, são aliados dos EUA. Ok, mas o Hezbollah, Assad, Irã e Putin também lutam contra o ISIS. Você defenderia armar o Hezbollah só porque este grupo, considerado terrorista pelos EUA, Israel e uma série de outras nações, luta contra o ISIS?

Ao mesmo tempo, os EUA não possuem muitas alternativas na Síria a não ser o YPG, por incrível que pareça. Por que então os americanos não usam isso como poder de barganha para pressionar a Turquia a usar inclusive tropas terrestres para lutar contra o ISIS, retirando um pouco do fardo desta luta dos ombros americanos?

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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