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De Beirute a Teerã – Imaginem se Ahmadinejad tivesse morrido no atentado de hoje no Irã

gustavochacra

04 Agosto 2010 | 09h00

Guerras começam em eventos menores. São os chamados estopins, que colocam fogo em um barril de pólvora. O Oriente Médio está pronto para explodir. E a poda de uma árvore quase acabou em uma escalada militar entre o Líbano e Israel. Foi por muito pouco. Se uma cerca for derrubada, como em briga de vizinhos, o conflito pode eclodir e, como disse ontem, Beirute e Tel Aviv se destruiriam inutilmente.

Hoje foi a vez de uma tentativa de atentado contra Mahmoud Ahmadinejad. Provavelmente, a ação foi organizada por opositores internos. Mas e se atingissem o seu objetivo? Nós teríamos acordado com o presidente do Irã morto. É a velha história do cisne negro.

Passamos meses ou mesmo anos falando do Irã, das sanções, das propostas do Lula, da ameaça israelense, das eleições fraudadas e, de repente, o Ahmadinejad teria saído de cena. Em um segundo, todas as discussões apontariam para como seria o Irã pós-Ahmadinejad, quem seria o novo presidente, se o aiatolá Khamanei concordaria em abrir mais a oposição, se haveria risco de ele também cair.

Lembro que quase ninguém previa em 2000 que chegaríamos a 2010 com o Irã de hoje.  O presidente era liberal em 2000, mas ele não conseguiu avançar nada. O certo é que, em 2005, na eleição para sucedê-lo, ninguém apostava em Ahmadnejad. Basta ler qualquer jornal no dia da votação no primeiro turno. Sabem aqueles perfis de candidatos que colocam nos jornais? Nenhum do mundo incluía o de Ahmadinejad. Ele foi para o segundo turno e acabou vencendo.

Podemos fazer a previsão que for, mas mais dia, menos dia, acordaremos com uma notícia inesperada. Pode ser a morte do presidente do Irã, a poda de uma árvore na fronteira do Líbano com Israel ou qualquer outra coisa que ninguém consiga prever. É a velha história do Cisne Negro.

No Oriente Médio, assim como no resto do mundo, nunca dá para saber o que irá acontecer. Pode haver guerra do Irã contra Israel? Pode. Mas o mundo passou quatro décadas esperando que a Guerra Fria esquentasse e, no fim, a União Soviética se desmantelou sem a explosão de uma arma nuclear.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios