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É mais difícil combater lobos solitários do que homens-bomba em Israel?

gustavochacra

12 Outubro 2015 | 17h17

Os atentados suicidas foram substituídos por foguetes que foram substituídos por esfaqueamentos. Mas há diferenças nas ações palestinas contra os israelenses atuais em relação às do passado. Os ataques com homens-bomba eram elaborados por grupos como o Hamas, Jihad Islâmico e Brigadas dos Mártires de Al Aqsa. Os mísseis também eram lançados por estas organizações. E, em quase todos os casos, os terroristas eram palestinos da Cisjordânia ou de Gaza, não árabes-israelenses e palestinos de Jerusalém.

Já os esfaqueamentos são cometidos por palestinos e também por árabes-israelenses e eles não integram nenhuma organização terrorista. São lobos solitários. Talvez ajam por impulso. Talvez planejem por dias ou horas antes. Difícil dizer. Cada caso é um caso. E há uma acentuação nos últimos meses nestas ações independentes, seja por meio de facas, seja por meio de atropelamentos.

Os efeitos práticos dos esfaqueamentos são inferiores em número de vítimas aos atentados suicidas. Explosões em ônibus, restaurantes, shoppings e casamentos provocavam dezenas de vítimas e o impacto internacional, muito maior, ainda mais na década passada, quando o mundo era incomparavelmente mais inseguro do que hoje (11 de Setembro, Bali, Londres, Madrid). Inclusive, a solidariedade com Israel era maior quando o terrorista era um homem-bomba. Os foguetes lançados da Faixa de Gaza repercutem mais quando Israel responde, como nas guerras de 2009 e do ano passado, com centenas de mortos.

O mais complicado, porém, é como Israel combaterá os esfaqueamentos. Não é simples. Informações de inteligência ajudam a combater mega atentados, não lobos solitários. A barreira (muro ou cerca, dependendo do lugar) pode ajudar a bloquear terroristas vindos da Cisjordânia, mas são ineficazes levando em conta que muitos dos responsáveis pelo esfaqueamentos moram em Jerusalém Oriental ou mesmo em cidades árabes-israelenses.

Até agora, a resposta de Israel tem sido dura, matando muitos palestinos. Não está claro se os mortos poderiam ser presos em vez de mortos. Isso sem falar em inocentes, como uma mulher grávida e um bebê. Mais grave, estas retaliações israelenses podem acirrar os ânimos e ampliar o número de esfaqueamentos. Ao mesmo tempo, o governo israelense se vê na obrigação para defender a população. É um dilema complicado para responder. Envolve também a interpretação de cada policial ou militar no momento de um ataque.

Estes novos levantes, portanto, chamam a atenção por dois motivos – não são orquestrados por grupos terroristas; envolvem também árabes-israelenses e palestinos de Jerusalém. E a estratégia israelense para combater não será simples.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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