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EUA não se interessam pela Venezuela

gustavochacra

06 Março 2013 | 10h11

Os Estados Unidos não querem atrito com a Venezuela. Por mais que os chavistas, mesmo depois da morte de Hugo Chávez, insistam em tratar os americanos como inimigos, Washington simplesmente ignora esta retórica. O importante é seguir com o comércio bilateral entre os dois países.

Verdade, em 2002, a administração de George W. Bush apoiou um golpe para derrubar Chávez. Mas já faz mais de uma década. Barack Obama nunca deu a menor importância para a Venezuela. É um assunto que não faz parte da agenda dele e que ele nem mencionou em sua campanha para a reeleição. Sequer considerava o líder venezuelano um inimigo.

Para os EUA, hoje, os inimigos são o Irã, a Síria e a Coreia do Norte, além de organizações terroristas espalhadas pelo mundo. A Rússia e a China são rivais. Cuba vale mais como símbolo de uma outra era, da Guerra Fria. Mas a Venezuela não tem problema, com o comércio bilateral a todo vapor.

Sinto muito dizer para os chavistas, mas os EUA não estava nem aí para Chávez e não estão muito preocupados com Nicolas Maduro. Prefeririam um governo mais moderado e menos populista como o de Henrique Capriles, líder da oposição. Mas o atual governo Obama não moveria uma pena para tentar envenenar um presidente em estado terminal, como querem insinuar os chavistas.

Aliás, mesmo ontem à noite, em menos de duas horas, Chávez deixou de ser o assunto principal na CNN. O destaque na Fox News e na MSNBC, que lideram em notícias, foi bem menor. O Wall Street Journal deu manchete para o recorde da Dow Jones. O New York Times deu na capa em uma coluna (grandes eventos são dados em seis) – recomendo o ótimo obituário escrito pelo Simon Romero.

Simplesmente, para os EUA, a Venezuela não é tão importante como é para o Brasil. São nossos vizinhos e a ideologia chavista tem lá sua influência na esquerda brasileira. Para os EUA, não.

Notem que este post foi sobre as relações EUA-Venezuela, e não sobre o chavismo e suas qualidades e defeitos. Não sou especialista em política venezuelana, embora tenha prestado muita atenção às ligações de Chávez com o Oriente Médio. Mas será tema de outro post. 

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios